Grupo assume ataques contra policiais na Venezuela

Quatro homens assumiram a autoria do ataque contra policiais, ocorrido em Caracas, na última sexta-feira, quando estes tentavam dispersar manifestantes governistas durante um protesto. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez hoje um apelo ao grupo para que desista de ações violentas. "Nossas armas para defender este governo estão nos quartéis", disse Chávez. Ele descartou a possibilidade de que o país vá virar um "campo de batalha". O presidente acusou alguns meios de comunicação de dar destaque excessivo às notícias sobre as manifestações violentas, para impor "uma agenda do medo" e provocar temor nos venezuelanos. Seguidores do governo realizaram protestos, na semana passada, contra a decisão do Tribunal Supremo de Justiça de não julgar os quatro oficiais apontados como líderes do frustrado golpe de Estado contra o atual presidente, ocorrido em abril. Os homens que atacaram o grupo de policiais metropolitanos - deixando cinco feridos - portavam fuzis e usavam capuzes cobrindo o rosto. Os policiais que dispersaram os manifestantes governistas estão sob o comando do prefeito metropolitano Alfredo Peña, um férreo opositor de Chávez. Alvo militar Os encapuzados, que se identificaram como membros do Grupo Revolucionário Carapaica, disseram no último domingo, em entrevista à imprensa, que a "ação violenta" da polícia os obrigou a disparar os fuzis. Em declarações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal El Universal, o líder do grupo, que se identifica como "Comandante Murachí", afirmou que, se a polícia metropolitana reprimir os protestos de rua, será considerada "alvo militar". O grupo negou ter qualquer tipo de vínculo com o governo ou a oposição, mas assegurou estar disposto a defender o atual projeto político de Chávez. "Nós estamos certos de que o governo perdeu a autoridade como governo", sustentou o líder do grupo ao justificar suas ações violentas. O prefeito Peña exigiu a detenção dos encapuzados. "Pergunto às Forças Armadas venezuelanas por que não desarmam estes senhores? Primeiro está a Constituição e depois ninguém mais", disse ele a um canal de televisão. Peña solicitou hoje à Procuradoria Geral que abra uma investigação sobre o caso e inspecione os arsenais das Forças Armadas, para determinar de onde saiu o armamento em poder do grupo. Chávez criticou a polícia metropolitana em seu discurso dominical pelo rádio. Ele afirmou estar disposto a atuar contra a polícia, apoiado pela Constituição. "Não podemos permitir que existam grupos policiais que, ao invés garantir a ordem pública, estão provocando as comunidades", disse.

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