Grupo ataca base da ONU no Sudão do Sul

Combatentes rivais do presidente, Salva Kiir, invadem posto das forças de paz; conflito se agrava no interior do país

JUBA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2013 | 02h01

Milícias contrárias ao presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, invadiram ontem uma base da ONU no quinto dia de conflito armado no país. "Nossa base em Akobo, no Estado de Jonglei, foi atacada e temos relatos de que vidas foram perdidas", declarou o vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, sem especificar o número de mortos. O embaixador da Índia na ONU, Asoke Mukerji, confirmou que três soldados indianos foram mortos no ataque.

O Exército lutava ontem para recuperar o controle de Jonglei, tomado por forças rivais na quarta-feira. No Estado, a cidade de Akobo e a capital Bor têm sido palco dos mais graves confrontos. Desde domingo, o Sudão do Sul enfrenta uma escalada de violência que deixou cerca de 500 mortos. As batalhas tiveram início na capital, Juba, e se espalharam pelo país.

A base invadida ontem pertence às forças de paz da ONU no país (UNMISS). A organização informou ter perdido o contato com ela. No local, na hora do ataque, havia cerca de 40 soldados indianos e pelo menos dois civis. O porta-voz da ONU, Farhan Haq, confirmou que milícias ligadas ao grupo nuer tentavam, desde a noite de quarta-feira, invadir a base para atacar os civis. Mais de 14 mil pessoas buscaram abrigo nas bases da ONU no Sudão do Sul para se proteger do fogo cruzado.

"A UNMISS tentará retirar o pessoal não armado de Akobo e aumentará a segurança nessa base com mais 60 homens da tropa de Malakal", afirmou o porta-voz. Haq disse acreditar na possibilidade de os milicianos terem como alvo civis da etnia dinka.

Treze policiais e observadores militares brasileiros integram a missão no Sudão do Sul. O Itamaraty informou que acompanha "com atenção a evolução dos acontecimentos". O Ministério das Relações Exteriores explicou que eles estão diretamente subordinados à ONU e não havia confirmação de que todos estejam em Juba.

Os confrontos são profundamente marcados pelas divisões étnicas. O Exército está subordinado ao presidente Kiir, membro da etnia dinka, e enfrenta os soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, do grupo nuer. Kiir e Machar romperam em julho após o vice anunciar que concorreria às eleições presidenciais de 2015 contra Kiir. Na noite de segunda-feira, o presidente acusou Machar de uma tentativa de golpe. O vice nega.

Cenário principal dos conflitos, a situação em Juba se acalmou ontem. O caso mais sério era o de um cerco à Universidade de Juba. Na quarta-feira, a ONU denunciou que alguns estudantes foram mortos dentro da instituição e um grupo deles pediu ajuda para deixar o câmpus.

A Grã-Bretanha enviou ontem um avião para retirar seus cidadãos que pediram por ajuda para sair do país. Uma delegação de chanceleres da União Africana tenta mediar um acordo de paz. Ontem, eles se reuniram com o presidente Kiir, mas nenhum resultado foi anunciado.

Obama. O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem o envio de 45 soldados ao país para proteger cidadãos americanos. Obama reconheceu que o Sudão do Sul está à beira da "guerra civil" e pediu o fim da violência. "Os combates ameaçam lançar o Sudão do Sul de volta aos dias mais obscuros de seu passado", afirmou Obama. / REUTERS e NYT

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