Grupo bipartidário propõe anistia a ilegais nos EUA

Senadores democratas e republicanos elaboram plano de reforma da imigração que legalizaria milhões de clandestinos

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2013 | 02h02

Diante do aumento da relevância do eleitorado latino nos EUA, um grupo de oito senadores democratas e republicanos apresentou ontem uma proposta para a legalização dos 11 milhões de imigrantes ilegais no país. Eles esperam acelerar a tramitação dessa reforma do sistema de imigração, ainda a ser esmiuçada e transcrita em projeto de lei, até o final do ano.

Coordenado pelo republicano Lindsey Graham e pelo democrata Chuck Schumer, o grupo concordou em oferecer a opção de legalização para os imigrantes ilegais que se dispuserem a ter seus antecedentes investigados e a pagar uma multa e impostos devidos. Os cálculos desses passivos devem ser definidos no projeto lei. Trabalhadores agrícolas terão um mecanismo facilitado de legalização. Outro projeto de lei, em formulação por outros quatro senadores, permitirá a naturalização de profissionais altamente qualificados que residam legalmente nos EUA.

Em contrapartida, os mecanismos de segurança na fronteira terrestre com o México e em portos e aeroportos serão fortalecidos para evitar novas ondas de imigrantes ilegais. Empresas terão de se submeter a controles sobre suas contratações e estarão sujeitas a penas caso mantenham imigrantes clandestinos em sua folha de pagamento.

O anúncio pelos senadores foi programado para a véspera da cerimônia, em Las Vegas, de divulgação do projeto de lei de reforma da imigração da Casa Branca. O presidente Barack Obama definiu essa reforma como prioridade do segundo mandato e encarregou a diretora de Política Doméstica da Casa Branca, Cecília Muñoz, filha de imigrantes bolivianos, de elaborar o texto.

Em princípio, o projeto de Obama ampliará as oportunidades de legalização de imigrantes e terá menor ênfase na segurança. O texto deve ser apresentado ao Congresso pelo senador Patrick Leahy, presidente do Comitê de Justiça. Seus principais elementos podem ser incorporados ao projeto dos oito senadores.

O acordo dos oito senadores deverá ser transcrito em um projeto de lei até março e ser aprovado no Senado até meados deste ano. Na Câmara dos Deputados, até mesmo membros da facção radical republicana, o Tea Party, mostraram-se ontem favoráveis à proposta. A tentativa do governo Obama de reformar a lei de imigração, em 2010, fracassou diante da resistência republicana. No ano passado, o governo teve de baixar por decreto a permissão de legalização de jovens estudantes e militares.

A virada veio com as eleições de 2012. Favorável à "autodeportação", o então candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, teve 27% dos votos dos latinos, o menor porcentual das últimas quatro eleições, e Obama, 71%.

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