REUTERS/Claudia Daut
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Grupo brasileiro enfrentou cubanos e foguetes soviéticos

Combatentes liderados pelo policial José Paulo Boneschi, que se identificava como major do Exército, combateram ao lado do FNLA em em Quifangondo; Participação de Cuba salvou o MPLA

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 07h20

A equipe de assessores brasileiros chegou em Angola pouco depois de as tropas de Holden Roberto (FNLA) terem conquistado Libongos, em Barra do Dande, a 32 km de Luanda. Roberto contava com 2 mil combatentes, divididos entre 156 comandos portugueses, dois batalhões do Exército do Zaire com artilharia e blindados Panhard, com canhões de 90 mm e 60 mm, 56 soldados do Exército da África do Sul com obuses e cerca de mil homens da Frente de Libertação Nacional de Angola (FNLA).

Ao lado do líder rebelde, o agente da CIA John Stockwell encontrou o policial brasileiro José Paulo Boneschi, que se identificava como major do Exército brasileiro. Boneschi era o chefe da equipe de brasileiros. Ele chegara em julho e recebeu os colegas em setembro, pouco antes do início do avanço para Luanda. A capital era controlada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde julho, quando expulsou de lá os rivais do FNLA e da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita).

Roberto marcou a ofensiva final sobre Luanda para coincidir com as vésperas da declaração da independência, em 11 de novembro. Duas pontes e dois morros separavam as tropas do FNLA da planície que os conduziria até Luanda. A primeira das pontes, sobre a Lagoa de Panguila, foi tomada em 6 de novembro.

Nesse dia, um dos brasileiros comandados por Boneschi foi ferido pelo estilhaço de uma granada disparada pela artilharia do MPLA. Boneschi e outro brasileiro - Theobaldo Lisboa - permaneceram ao lado da ponte com os portugueses, enquanto os blindados do Zaire lideravam o primeiro ataque ao Morro Quifangondo - repelido pelo MPLA e os cubanos. Estes haviam começado a desembarcar em Luanda. Era a Operação Carlota, o envio de tropas de Cuba que salvou o MPLA.

"Há duas causas para a derrota em Quifangondo: os lançadores múltiplos BM-21 colocados pelos soviéticos em posição de combate nas vésperas da batalha e usados em força máxima, provocando o pânico nas tropas africanas, e a traição dos sul-africanos, que se retiraram em pleno combate", contou o piloto brasileiro Pedro Marangoni, que lutou com o FNLA.

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