Grupo busca resgatar era da glória Jihadista

O Jemaah Islamyiah (ou Congregação Islâmica) foi criado com pretensões de instaurar um emirado islâmico no Sudeste Asiático. Malásia, Cingapura, Filipinas e sul da Tailândia, além da Indonésia, formariam a Medina dos novos tempos, de onde os jihadistas combateriam todo o mundo moderno. O grupo é considerado pelos EUA uma das mais perigosas filiais da Al-Qaeda por sua influência na Ásia.

O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2013 | 02h02

Combatentes, como Ibnu Ahmad, Kadir e Hidayat, inspiraram-se em Bin Laden, com quem estiveram pessoalmente. A Indonésia, sua base, é campo fértil para o recrutamento - com 240 milhões de habitantes, dos quais 9 em cada 10 seguem o Islã, é o maior país muçulmano do mundo.

Os planos do grupo, no entanto, foram adiados pelos atentados de Bali. Com seus líderes presos e investigados pela CIA, o financiamento minguou. O grupo perdeu apoio interno, dos que discordavam da morte de muçulmanos entre as vítimas dos atentados. Desmoralizados e pobres, seus combatentes buscam voltar aos tempos em que eram os heróis da jihad no Afeganistão.

"Sinto muita falta do Afeganistão, muita", suspira Ibnu Ahmad, de uma linhagem de jihadistas da Indonésia. É filho, neto, sobrinho, irmão de combatentes islâmicos. Seu avô foi um dos fundadores do Darul Islam, milícia que lutou contra os colonizadores holandeses e da qual o JI descende; o pai participou da tentativa frustrada de assassinar o presidente Sukarno em 1956 e combateu o flerte dos comunistas na Indonésia com apoio indireto da CIA, nos mesmos moldes que a agência de inteligência americana faria depois no Afeganistão.

Ibnu Ahmad passou oito anos internado em uma pesantren (escola corânica da Indonésia), tinha 21 anos quando chegou ao Al-Sadda, campo de treinamento para a jihad no Afeganistão. Lá conviveu com homens como Abdullah Yusuf Azzam, o "pai" da jihad global, e seu afilhado espiritual, Osama bin Laden; mulá Omar, o chefe caolho do Taleban, e Khalid Sheikh Mohammed, mentor do 11 de Setembro, a quem Ibnu Ahmad ciceroneou na Indonésia quando buscava fundos para os atentados.

Pelo menos 292 integrantes do JI foram treinados entre 1985 e 1996 em campos como o Al-Sadda. De volta à Indonésia, Ibnu Ahmad treinou guerrilheiros e envolveu-se nos conflitos sectários contra cristãos. Foi preso em 2000, após um ataque ao embaixador das Filipinas, que deixou 2 mortos, e pouco antes dos ataques de Bali, flagrado com 35 mil cartuchos de munição.

Ao sair da prisão, o amigo Ustadz Faisal Ishaq, dono da NaturAid, fabricante de cosméticos e complementos alimentares citados no Alcorão, o ajudou. Ao revender seus produtos, Ibnu Ahmad aproveita para radicalizar os clientes. "É uma ferramenta de pregação", diz, mostrando um frasco de água de Zam-Zam, extraída de uma fonte em Meca e considerada sagrada. "Eu devia ter lhe trazido o guia: como estabelecer a sharia em dez fases."

"Ibnu Ahmad é um combatente, tem isso no sangue. É muito difícil tirá-lo dessa condição", diz Taufik Andrie, pesquisador do Institute for International Peace, de Jacarta, que trabalha com a desmobilização de jihadistas. Ibnu Ahmad não se convence: "A jihad é obrigação de todo muçulmano e existirá até o fim dos tempos, até o Armagedon." / A.C.

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