Grupo chileno critica inquérito militar de morte

O Instituto Nacional dos Direitos Humanos do Chile criticou nesta quarta-feira o fato de a Justiça militar ter sido incumbida de investigar a morte de um adolescente em uma manifestação na semana passada.

Agência Estado

31 de agosto de 2011 | 18h45

O jovem Manuel Gutiérrez, de 16 anos, foi morto em Santiago na semana passada durante os protestos estudantis que aconteceram em meio à greve geral de dois dias no país.

O sargento dos carabineros, Mario Millacura, suposto assassino do jovem, pode ser processado pela Justiça militar segundo a lei chilena.

"Isso não garantirá que a justiça será feita para a família de Manuel Gutiérrez, porque a Justiça militar não é transparente", criticou Lorena Fríes, diretora do Instituto Nacional.

Gutiérrez foi morto com um tiro no peito na madrugada da sexta-feira passada, enquanto observava protestos feitos por jovens de um bairro no sudeste de Santiago.

Os tumultos ganharam força na quarta na quinta-feiras da semana passada, quando a central sindical Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocou greve geral para exigir uma nova Constituição e reformas trabalhistas e tributárias no Chile.

Na sexta-feira, um general da polícia uniformizada chilena (carabineros) disse que a morte de Gutiérrez não seria investigada porque policiais não haviam disparado contra o jovem. Mas na segunda-feira o caso conheceu uma reviravolta quando um policial admitiu que disparou sua submetralhadora Uzi e havia ocultado o fato dos seus oficiais.

O caso já resultou na baixa de nove oficiais, incluído um general e um coronel, mas a oposição pediu também a renúncia do comandante dos carabineros, Eduardo Gordon. Alguns parlamentares pediram formalmente nesta quarta-feira, no Congresso, a demissão do ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter.

A Câmara dos Deputados do Chile votou e rechaçou hoje mesmo a renúncia de Hinzpeter, por 58 votos contra e 49 favoráveis. A acusação contra o ministro, que possui autoridade sobre a força policial, foi julgada improcedente.

O ministro foi acusado pelos excessos da polícia na repressão aos protestos da semana passada. Além da morte de Gutiérrez, mais duas pessoas foram baleadas na violência em Santiago em incidentes noturnos.

Hinzpeter declarou que a oposição chilena faz um "oportunismo político" ao vincular a morte de Gutiérrez à sua atuação como ministro do Interior.

Líder estudantil chilena participa de protesto no Brasil - Também nesta quarta-feira, a líder estudantil chilena Camila Vallejo participou, em Brasília, de uma marcha da União Nacional dos Estudantes (UNE) na capital brasileira e denunciou a repressão aos universitários e secundaristas no Chile, onde o sistema educacional está paralisado há meses em meio a protestos para exigir a reforma do setor.

Na manifestação, os integrantes da UNE percorreram o centro de Brasília para exigir do governo que destine 10% do produto interno bruto (PIB) à educação. Atualmente, o orçamento público para a educação situa-se na casa dos 5% do PIB brasileiro.

"Temos no Chile as mesmas reivindicações que vocês aqui no Brasil, só que por lá sofremos repressão quando nos manifestamos", denunciou a líder estudantil chilena no alto de um caminhão estacionado diante da sede do Banco Central.

De acordo com Camila, "no Brasil o movimentou estudantil se articulou com a sociedade e com o governo no decorrer da história e obteve conquistas, ainda que pequenas. No Chile existe um descontentamento muito grande e só agora conseguimos uma aproximação com a sociedade". As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Chileestudantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.