Grupo da ONU se encontrará com milícia islâmica na Somália

Uma equipe de segurança das Nações Unidas (ONU) viajará para a Somália ainda esta semana para se reunir com líderes da milícia islâmica que tomou várias cidades do país. Trata-se do primeiro contato formal entre a ONU e os milicianos.A viagem deve preparar a visita de agências humanitárias da ONU que querem aumentar a ajuda no país, informou a representante especial da ONU na Somália, François Lonseny Fall.A visita também reflete o início do reconhecimento dentro da ONU de que os militantes islâmicos, conhecidos como União das Cortes Islâmicas, são o grupo mais próximo de um governo na Somália.A equipe irá se encontrar com representantes do grupo na cidade de Jowhar, cerca de cem quilômetros da capital Mogadiscio. Os militantes capturaram Jowhar dos senhores da guerra seculares na quarta-feira.Várias agências da ONU possuem acampamentos em Jowhar, cujos moradores foram obrigados a deixar suas casas quando os confrontos se intensificaram. François disse que a reunião irá ajudar a ONU a entender melhor a União das Cortes Islâmicas, que é pouco conhecida fora da Somália. "Não sabemos exatamente quais são suas intenções por isso a primeira missão irá para Jowhar para encontrá-los" disse a representante da ONU. TemorOs Estados Unidos temem que a União esteja abrigando terroristas, mas o grupo afirma que quer exercer um papel construtivo na comunidade internacional.Funcionários da ONU informaram que agências humanitárias participarão da segunda viagem ao país. Os grupos mais cotados para a visita são o Programa de Desenvolvimento da ONU, o Programa de Alimentação Mundial, a UNICEF e o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários, entre outros. O Programa de Alimentação Mundial afirma que 23% dos somalis sofrem de desnutrição, bem acima da taxa de 15% que define uma situação de emergência.A Somália não possui um governo central desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. Um governo de transição foi estabelecido em 2004 mas não conseguiu estabelecer a ordem. O governo é baseado na única cidade que controla, Baidoa, cerca de 250 quilômetros de Mogadíscio.

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