Grupo de agentes da Cruz Vermelha é sequestrado na Síria

Homens armados capturaram ao menos seis agentes que retornavam para Damasco

O Estado de S.Paulo,

13 de outubro de 2013 | 16h01

GENEBRA - Seis funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) foram sequestrados neste domingo, 13, juntamente com um voluntário do Crescente Vermelho, no noroeste da Síria, informou a organização humanitária.

O sequestro foi realizado por um grupo de homens armados em uma zona próxima à cidade de Sarequeb, na Província de Idlib.

 

Os sequestrados tinham viajado na semana passada a Idlib para avaliar a situação médica em vários hospitais da região e distribuir equipamentos médicos. O sequestro ocorreu quando ele retornavam a Damasco.

 

O veículo no qual viajavam estava identificado com o emblema da organização de ajuda humanitária, que é independente e sem nenhuma conotação religiosa.

 

"Pedimos a libertação imediata e incondicional de nossos sete colegas", disse em um comunicado o chefe do CICR na Síria, Magne Barth. Ele acrescentou que, apesar do grave incidente, o CICR "continuará suas atividades humanitárias na Síria e nos países vizinhos em favor dos refugiados".

 

Em uma declaração divulgada em Genebra, Barth lembrou que os colaboradores do CICR, assim como do Crescente Vermelho (a versão islâmica da Cruz Vermelha) trabalham sem descanso para levar assistência humanitária aos que mais necessitam em toda a Síria.

Desde o início da guerra, em março de 2011, mais de 110 mil pessoas foram mortas e 2 milhões foram forçadas a deixar suas casas.

O CICR informou em agosto que 22 voluntários do Crescente Vermelho da Síria tinham sido mortos desde o início do conflito. Alguns foram deliberadamente assassinados e outros foram pegos no fogo cruzado ou bombardeios, informou a organização.

Ainda ontem, dois carros-bomba foram detonados no centro de Damasco, informou a mídia estatal síria, sem revelar se houve mortos ou feridos. Segundo a agência Sana, “terroristas suicidas” detonaram as bombas na Praça dos Omeyas, no centro da capital.

O mais importante grupo de oposição na Síria anunciou ontem que não participará da conferência de paz em Genebra, o que representa um duro golpe para a credibilidade das negociações apoiadas pelos EUA e Rússia.

 

“O Conselho Nacional Sírio (CNS), que é o principal bloco político da Coalizão, tomou a firme decisão de não ir a Genebra”, disse o chefe do grupo, Georges Sabra. “Isso não significa que não permaneceremos na Coalizão se ela for”, acrescentou.

 

A Coalizão de oposição anunciou em setembro que estava disposta a enviar representantes a Genebra, apesar de ter colocado como condição a renúncia do presidente Bashar Assad.

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