Grupo de chanceleres da Unasul pedirá moderação a Maduro

Representantes de Brasil, Equador e Colômbia chegam hoje a Caracas; mensagem ao governoterá tom mais severo

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 02h07

A reunião da comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) hoje, em Caracas, não levará ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o apoio que ele planejava receber. Depois da prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, da invasão das sedes do partido de oposição Copei, Maduro deve receber o mesmo recado já enviado por vários países da região nas últimas semanas: limites foram ultrapassados e Caracas precisa baixar o tom se quiser apoio dos organismos regionais.

A tarefa da comissão pode ser mais difícil do que há um ano, quando os chanceleres tentaram intermediar um diálogo entre o chavismo e a oposição, depois dos protestos que deixaram 43 mortos no país.

Apesar de o convite ter sido feito pelos venezuelanos, o governo Maduro inicialmente não queria chamar representantes da oposição para sentar à mesa. Cresceu, ainda, a resistência à presença da Colômbia, depois que o presidente Juan Manuel Santos criticou a prisão de opositores. A oposição também resiste à presença de Ernesto Samper, o secretário-geral da Unasul, a quem acusa de ter ficado ao lado do governo.

Há uma preocupação forte da comissão - e do governo brasileiro - de passar o recado, mas não isolar o governo Maduro. Não apenas porque seria mais difícil tentar ajudar a reduzir a tensão, mas porque se Caracas fechar as portas para os vizinhos os reflexos políticos e econômicos na região podem ser enormes.

Apesar da crise, a Venezuela foi o maior superávit brasileiro em 2014, com quase US$ 6 bilhões de saldo positivo na balança comercial. Caracas também mantém com a Colômbia, uma parceria econômica importante. Quase 4 milhões de colombianos vivem na Venezuela.

O apoio ao governo chavista dos países da região, que evitavam condenar as ações de Maduro, vem diminuindo. Na semana passada, uma nota do Itamaraty, deixou clara a insatisfação do governo brasileiro ao citar a prisão de políticos eleitos e a invasão da sede de um partido.

Fontes do governo brasileiro ouvidas pelo Estado lembram que Ledezma foi eleito e reeleito em votações consideradas legítimas pelo próprio governo e o Copei não pode ser considerado de oposição radical a Maduro. A avaliação até agora é que a Venezuela não conseguiu comprovar a existência de uma tentativa de golpe, como alega o governo, mesmo que alguns discursos da oposição peçam uma redução do mandato de Maduro.

As dúvidas sobre os motivos do avanço de Maduro sobre a oposição já são expressadas abertamente. O novo vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic, disse que Montevidéu não tem elementos para comprovar a afirmação de Maduro de que existem "interferências externas". O ex-presidente José Mujica, apesar da boa relação com o governo de Maduro, disse em entrevista ao jornal uruguaio El País que teme um golpe militar de esquerda na Venezuela. Mujica e a presidente Dilma Rousseff falaram sobre a crise na Venezuela durante a posse de Tabaré Vazquez, no domingo.

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