Miraflores Palace/Handout via REUTERS
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Grupo de contato debate em Montevidéu solução para crise da Venezuela

Representantes da União Europeia, de oito países do bloco e de cinco da América Latina tentam encontrar solução para situação no país; Rússia lamenta não ter sido convidada nem mesmo como observadora para a reunião

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 09h22

MONTEVIDÉU - Um grupo de países com posições divergentes sobre a Venezuela tentará nesta quinta-feira, 7, em Montevidéu buscar uma solução para a crise no país, em meio à disputa entre o presidente Nicolás Maduro e o presidente do Parlamento, Juan Guaidó.

Representantes da União Europeia (UE), de oito países do bloco e de cinco da América Latina se encontrarão em Montevidéu com o objetivo de contribuir para criar as condições para possibilitem um processo político e pacífico à grave crise política na Venezuela.

Inicialmente convocado por México e Uruguai como um encontro de "países neutros" para buscar uma solução, a reunião terá a participação da UE, que se uniu ao processo após a criação de um grupo de contato internacional, ao qual depois foram adicionados três países latino-americanos (Equador, Costa Rica e Bolívia).

A reunião não terá a participação de representantes do governo de Maduro nem da oposição venezuelana.

Maduro apoiou na quarta-feira "todos os passos e iniciativas de facilitação do diálogo" e afirmou que o governo está "preparado" para participar em um processo de entendimento.

Mas Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro e foi reconhecido por quase 40 países, incluindo os Estados Unidos e o Brasil, reiterou que "a oposição venezuelana não vai se prestar a nenhum tipo de falso diálogo" que permita a Maduro ganhar tempo.

A reunião acontece em um momento de tensão pela chegada de ajuda humanitária a Venezuela, em particular enviada pelos Estados Unidos, após o bloqueio dos militares em uma ponte da fronteira com a Colômbia, onde foi estabelecido um centro de coleta de remédios e alimentos.

Guaidó, 35 anos, fez um apelo aos militares para que não bloqueiem a entrada de ajuda, que Maduro rejeita por considerá-la a ponta de lança de uma invasão.

Com escassez de alimentos e remédios, além de uma inflação que o FMI projeta em 10.000.000% para este ano, a Venezuela enfrenta a pior crise de sua história moderna, que provocou o êxodo de 2,3 milhões de pessoas desde 2015, segundo a ONU.

Ausência da Rússia

Moscou, um dos principais aliados internacionais de Maduro, lamentou nesta quinta-feira não ter sido convidada para a reunião em Montevidéu. 

"Esperávamos que a Rússia pudesse participar dos trabalhos (...) ao menos como país observador, mas nos disseram que um formato assim não estava previsto para ninguém", afirmou o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Riabkov, à agência RIA Novosti.

"Queremos acreditar que do encontro no Uruguai surgirá uma importante contribuição política, intelectual e uma solução criativa real para os problemas na Venezuela", completou Riabkov. / AFP

 

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