Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Grupo de Lima quer apoio da UE e defende incluir Cuba nas negociações sobre Venezuela

Em nota, entidade pede reunião com países que defendem antecipação de eleições com participação do chavismo

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 18h56

O Grupo de Lima defendeu após reunião desta sexta-feira, 3, na capital peruana uma reunião com  a União Europeia, o Uruguai, México e a Bolívia – países que defendem uma saída negociada para a crise venezuelana – uma reunião para discutir a redemocratização no país.  O grupo, que reúne países latino-americanos críticos ao regime de Nicolás Maduro, também defendeu incluir Cuba nas negociações para o fim da crise. 

“Concordamos em propor ao Grupo de Contato Internacional uma reunião urgente para encontrar um saída convergente para reestabelecer a democracia na Venezuela”, diz a nota. “Convidamos outros membros da comunidade internacional comprometidos a esse propósito a se somar a nossos esforços.”

A principal diferença entre as abordagens do Grupo de Lima e o Grupo de Contato reside no fato de o primeiro vincular a transição pós-chavista à liderança do líder opositor Juan Guaidó. Europeus e países latino-americanos com governos alinhados à esquerda acreditam ainda em uma transição negociada entre os dois lados, com antecipação de eleições monitoradas pela comunidade internacional e participação do chavismo como ator político. 

Cuba, por sua vez, é o principal aliado de Maduro e colabora com o chavismo no setor de inteligência e segurança. Sua dependência econômica da Venezuela, principalmente pelo petróleo enviado à ilha, tornaria uma mudança de governo em Caracas uma ameaça econômica para a sobrevivência do regime castrista. 

Apesar de o governo americano ressaltar que uma saída militar para a crise não está descartada, nenhum país latinoa-americano está disposto a apoiá-la, nem mesmo os mais próximos de Washington, como o Brasil e a Colômbia. Com isso, a pressão por negociações diplomáticas têm crescido. 

Em paralelo, o ministro da Defesa venezuelano Vladimir Padrino confirmou nesta sexta-feira que recebeu uma oferta dos Estados Unidos para romper com Maduro. “Quiseram me comprar como se eu fosse um mercenário”, disse. “Dá muita indignação que me tentem comprar com uma oferta ridícula, da boca para fora.”

 

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