EFE/Martín Alipaz
EFE/Martín Alipaz

Grupo de Lima contesta eleição venezuelana

Países dizem que disputa presidencial ‘carecerá de legitimidade’ se não permitir participação justa de opositores

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 21h49

LIMA - Estados Unidos e os países do Grupo de Lima - que atua desde o ano passado para buscar uma solução à crise humanitária na Venezuela - advertiram ontem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que a eleição presidencial marcada para 20 de maio não terá legitimidade se a oposição não puder participar em condições justas, segundo declaração emitida ao fim da Cúpula das Américas.

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Os 16 países assinaram manifesto exigindo “eleições presidenciais com garantias necessárias para um processo livre, justo, transparente e democrático, sem presos políticos, que inclua a participação de todos os atores políticos venezuelanos”. Para eles, uma votação que não cumpra com essas condições “carecerá de legitimidade e credibilidade”.

Sobre a questão venezuelana, o vice-presidente americano, Mike Pence, que assistiu à cúpula no lugar do presidente Donald Trump, disse que Washington promove “mais sanções” para isolar Maduro e anunciou uma ajuda adicional de US$ 16 milhões para os refugiados venezuelanos. “Buscamos sanções adicionais, mais isolamento e mais pressão diplomática, começando por nosso hemisfério, mas também por todo o mundo, para reconhecer que a Venezuela é uma ditadura”, disse Pence.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que seu país não vai reconhecer qualquer resultado das próximas eleições da Venezuela e afirmou que a crise humanitária no país sul-americano “é o caso extremo de sociedade com corrupção descontrolada”.

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O presidente chileno, Sebastián Piñera, declarou que “não há dúvida de que na Venezuela não existe democracia, não existe o estado de direito, não há respeito aos direitos humanos ou estão organizando eleições limpas”.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, também disse que não reconhecerá o resultado das próximas eleições no país. O presidente brasileiro, Michel Temer, criticou Maduro, mas não antecipou posição sobre o tema.

Outros temas

Além da crise na Venezuela, a luta contra a corrupção e o ataque liderado pelos Estados Unidos à Síria, dominaram o encontro encerrado ontem no Peru.

Ao inaugurar a cúpula, no Grande Teatro Nacional de Lima, o presidente peruano fez um discurso contra a corrupção. “Sete a cada dez habitantes do hemisfério têm pouca ou nenhuma confiança em seus governos. Mais da metade dos cidadãos avalia como ruim o desempenho de suas autoridades na luta contra a corrupção”, declarou Vizcarra. Ele assumiu o poder no mês passado, depois que acusações de corrupção derrubaram Pedro Pablo Kuczynski.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse que “a corrupção é uma doença hereditária, autoimune”, mas não é um mal da democracia. “Não é por causa da democracia, mas sim graças a ela que o problema (da corrupção) se ventila com maior franqueza.” / AFP, COM FERNANDO NAKAGAWA, ENVIADO ESPECIAL A LIMA

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