Manaure Quintero/Reuters
Manaure Quintero/Reuters

Grupo de Lima diz não reconhecer eleição no parlamento da Venezuela

Em comunicado assinado também pelo Brasil, bloco afirmou que não reconhece votação que elegeu Luis Parra e impediu Juan Guaidó de participar da sessão

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 10h00

LIMA - Os países do Grupo de Lima, bloco do qual o Brasil faz parte, disseram neste domingo, 5, que não reconhecem o resultado da nova eleição para a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela. A declaração vem após Juan Guaidó e outros opositores terem sido impedidos de entrar na sede do parlamento pelas forças de segurança comandadas por Nicolás Maduro.

"A Assembleia Nacional tem o direito constitucional de se reunir sem intimidações nem interferências para eleger seu presidente e sua diretoria. Por isso, desconhecemos o resultado de uma eleição que vulnera esses direitos e que ocorreu sem a plena participação dos deputados que estavam presentes na sessão", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Peru, em comunicado.

Além do Peru, a nota foi assinada por Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Santa Lúcia. Uruguai e os Estados Unidos, que não fazem parte do Grupo de Lima, também disseram não reconhecer os resultados da votação.

O Grupo de Lima também condenou o uso da força aplicada pelo "regime ditatorial" de Maduro para impedir que os deputados da oposição participassem da reunião que elegeu, com apoio dos chavistas, Luis Parra como novo presidente da Assembleia Nacional. No comunicado, o bloco ainda pediu que a comunidade internacional trabalhe de maneira conjunta para reestabelecer a democracia e o estado de direito na Venezuela.

Mais cedo, o ministro das Relações Excteriores, Ernesto Araújo, já havia comunicado através de sua conta oficial no Twitter que o Brasil não vai reconhecer a eleição da Assembleia Legistaltiva da Venezuela que elegeu Luis Parra, a qual ele classificou de "golpe".

Depois da eleição contestada, Guiadó foi reeleito presidente da Assembleia Nacional em uma "sessão paralela" realizada na sede do jornal El Nacional, no leste de Caracas. Nesta, somente deputados opositores participaram da votação.

Enquanto aliados de Guaidó dizem que a votação que elegeu Parra foi um "golpe ao parlamento", Maduro e o contestado presidente do parlamento afirmam que o opositor não foi impedido de entrar na sede do Legislativo, apesar de os vídeos que mostram o contrário, e que o autoproclamado presidente não tinha os votos necessários para se reeleger.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou os atos de violência e "qualquer ação de usurpação" contrária à legitimidade do parlamento da Venezuela. / EFE

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