‘Grupo de mídia terá de ceder e se adaptar’

BUENOS AIRES - Segundo o sociólogo e jornalista Martín Sivak, autor do livro Clarín, o grande jornal argentino - uma história, só resta ao maior e mais influente grupo de mídia da Argentina "adaptar-se e ceder" diante da Lei de Mídia, confirmada ontem pela Corte Suprema. A seguir, a entrevista ao Estado.

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

29 de outubro de 2013 | 23h35

Como a decisão da Corte Suprema afeta o Grupo Clarín?

De diversas formas. Em uma perspectiva histórica, é a primeira vez em 68 anos que a empresa tem de mudar sua estratégia por razões externas. O Clarín não esperava esse parecer da Justiça. Os diretores aguardavam uma determinação melhor. A holding terá de definir seu plano de adequação ou uma indenização. E continuará com uma campanha internacional, tentando apresentar esse conflito como o de uma empresa de mídia contra um governo autoritário, contrário à liberdade de expressão. O Clarín terá de se adaptar, tanto em forma material quanto política.

O confronto entre o governo Kirchner e o Clarín termina com esta batalha na Justiça?

A determinação da Corte Suprema não acaba com o conflito. A hostilização do governo com o Clarín continuará. E o grupo terá de ceder. Mas, ao mesmo tempo, deve recorrer a tribunais internacionais. Veremos o que ocorrerá. O governo acusa o Clarín de não ter acatado a lei de mídia nos últimos anos. Mas o governo tampouco cumpriu a própria Lei de Mídia em muitos aspectos. Um dos pontos polêmicos é a aplicação da lei para os empresários estrangeiros (o canal Telefé, da Telefônica da Espanha e o Nueve, do mexicano Remígio González). Muitos dos aliados do governo nesse conflito carecem de credibilidade e estão em conflito com a lei.

O Clarín não obteve a solidariedade total da oposição. Por quê?

Uma coisa interessante para entender esse conflito são os sentimentos "anticlarinistas". A empresa não conseguiu despertar grande solidariedade, nem sequer na elite política.

O ex-presidente Carlos Menem, atualmente senador alinhado ao kirchnerismo, foi a favor da ‘Lei Clarín’. E também o partido Fuerza Republicana, do ex-general Domingos Bussi, um dos mais famosos torturadores da ditadura militar. Como é isso?

O Clarín é mais temido do que respeitado. Mas temos de esperar o que vai acontecer nas próximas semanas...

Como o sr. definiria a relação entre os Kirchners e o Clarín?

O Clarín teve relações excelentes com o governo Kirchner por cinco anos. Aí ocorreu uma ruptura por motivos que ainda não estão claros. Não é que um dia o Clarín percebeu que os Kirchners queriam violar a democracia. Nem governistas acordaram um dia e começaram a pensar que o Clarín era a oligarquia. Os Kirchners tentaram criar meios de comunicação, com empresários amigos, mas fracassaram.

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