Grupo de vítimas do conflito colombiano viaja para Cuba

Comitiva formada por 12 vítimas das Farc, do Estado e grupos paramilitares participarão de conversas no processo de paz

O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2014 | 15h33

BOGOTÁ - A primeira delegação de vítimas do conflito armado colombiano que participará dos diálogos de paz que o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm em Havana desde o final de 2012 partiu nesta sexta-feira, 15, de Bogotá em companhia de representantes da ONU e da Universidade Nacional.

Dos 12 integrantes da comitiva, cinco são vítimas das Farc, quatro do Estado, dois de grupos paramilitares e uma de vários atores armados.

Este grupo e outros quatro que viajarão em breve terão como missão representar as mais de 6,5 milhões de vítimas do conflito armado no processo de paz.

"Escutamos com grande cuidado o debate sobre esse tema e com base nisso escolhemos estes representantes, sempre seguindo as indicações da mesa de Havana quanto ao equilíbrio e pluralidade", disse Fabrizio Hochschild, diretor das Nações Unidas na Colômbia.

O primeiro grupo é composto por oito mulheres e quatro homens que foram vítimas de sequestros, torturas e outros delitos ou são parentes de pessoas assassinadas ou desaparecidas. No grupo também há integrantes da tribo indígena Wayuú e parentes de guerrilheiros e de militares.

Todos eles participarão sábado da mesa de negociações e contarão aos negociadores do governo e das Farc sua experiência pessoal ou familiar e "qualquer coisa que desejem dizer", com a intenção de promover um diálogo entre as duas partes.

Após conhecer a lista, a ONU e a Universidade Nacional, encarregadas de fazer a seleção, esclareceram que ainda não foi decidida a composição da próxima delegação, que não tem data prevista de chegada a Havana. "Vamos escutar o país sobre essa lista e com base nisso escolheremos os próximos participantes", ressaltou Hoschchild.

As Nações Unidas apontam que a seleção, realizada com a ajuda de especialistas em direito humanitário, suscitará críticas e pediu que as pessoas se centrem no trabalho e não ataquem os que viajaram para Cuba.

As vítimas, que contarão com assistência psicológica no processo, disseram a ONU que estão "preocupadas" por se transformarem em figuras públicas, mas são "conscientes de sua responsabilidade" no processo de paz.

Esta delegação, assim como as propostas representativas de todas as vítimas que a ONU e a Universidade Nacional levarão a Cuba, são resultado de quatro foros realizados neste mês e em julho, nos quais participaram mais de três mil pessoas.

Segundo a ONU, os mais de quatro mil pedidos registrados no site da mesa de conversas também serão considerados na discussão.

O ponto com relação ao reconhecimento e reparação das vítimas é o quarto dos cinco que consta na agenda do processo de paz, que já alcançou pré-acordos sobre propriedade da terra, participação política e drogas ilícitas. / EFE

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