Grupo diz ser confundido com muçulmanos

Em razão do sentimento anti-islâmico posterior ao 11 de Setembro nos EUA, sikhs sofrem com preconceito e agressões

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h00

Grupos defensores dos direitos dos sikhs relatam um aumento de agressões contra o grupo desde os ataques de 11 de setembro de 2001. A Coalizão Sikh, com sede em Washington, afirmou que mais de 700 incidentes do tipo ocorreram desde então, graças ao sentimento anti-islâmico causado pelos atentados nos EUA. Os sikhs não seguem o Islã, mas suas longas barbas e seus turbantes fazem que eles sejam confundidos com os muçulmanos no país.

A religião sikh é uma crença monoteísta fundada na região de Punjab, na fronteira entre a Índia e o Paquistão, no fim do século 15. Foi criada pelo guru Nanak, sucedido por outros nove gurus. Atualmente, conta com cerca de 27 milhões de seguidores, que pregam a igualdade entre seres humanos.

Trata-se de um grupo minoritário na Índia, do qual faz parte o premiê do país, Manmohan Singh. Ao longo dos últimos cinco séculos, a religião disseminou-se pelo mundo. Seus fiéis, armados com Exército próprio, lutaram por motivos políticos e em guerras na Índia. Os sikhs definem sua fé como "o caminho para o guru", o instrutor para a salvação dos mortais.

Na Índia, há claras diferenças entre os sikhs e os membros da religião predominante, o hinduísmo, ao qual se vinculam o sistema de castas e a adoração a diversas divindades.

Em geral, os sikhs seguem normas que os diferenciam socialmente. Os homens têm cabelos longos, mantidos presos e encobertos por um turbante. Parte das mulheres os cobrem com um véu.

Nos anos 60, a tentativa dos sikhs de fazer de Punjab um Estado independente, como fora na década de 40, deu origem a graves confrontos com os hindus. Na década seguinte, novas tensões ocorreram em razão da discriminação que os sikhs dizem sofrer do hindus, que controlavam o governo e o Congresso indianos na época. / D.C.M., COM EFE

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