Grupo diz ter decapitado jornalista americano

Estado Islâmico divulga vídeo no qual militante corta a cabeça do repórter fotográfico James Foley, desaparecido na Síria desde 2012

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2014 | 02h01

O grupo radical sunita Estado Islâmico (EI), que domina parte do território sírio e iraquiano, divulgou ontem um vídeo da decapitação de um homem identificado como o repórter fotográfico americano James Foley, desaparecido desde 2012. A execução seria uma retaliação aos bombardeios dos EUA a regiões perto da Montanha Sinjar, no norte do Iraque. Dois funcionários da Casa Branca confirmaram extraoficialmente a autenticidade das imagens e disseram que o presidente Barack Obama fará hoje um pronunciamento sobre o caso. Pelo Facebook, Diane Foley, mãe do fotógrafo, confirmou a morte do filho e se disse "orgulhosa" pelo fato de ele ter "dado a vida para denunciar o sofrimento do povo sírio".

Depois de ler um declaração na qual afirma que o governo americano é seu "real assassino", Foley se despede de seus pais e pede que seu irmão, John, que serve na Força Aérea dos EUA, pense sobre a decisão de bombardear o Iraque. "Eles (o governo americano) pensaram em mim, em vocês ou na nossa família quando tomaram essa decisão? Eu morri naquele dia."

A porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden, disse que o vídeo "supostamente mostra o assassinato do cidadão americano James Foley pelo EI". "A comunidade de inteligência está trabalhando o mais rápido possível para determinar a autenticidade do vídeo. Se for genuíno, estamos horrorizados com o brutal assassinato de um jornalista americano inocente e expressamos nossas mais profundas condolências a sua família e amigos", disse Caitlin.

As imagens divulgadas pelo EI com alta resolução mostram um segundo prisioneiro, identificado como o jornalista americano Steven Joel Sotloff, que também desapareceu enquanto cobria a guerra civil na Síria. "A vida desse cidadão americano depende da sua próxima decisão, Obama", diz em inglês com sotaque britânico o radical sunita na filmagem. No vídeo, não há indícios que permitam dizer se as imagens foram feitas na Síria, nem quando foram feitas.

Uma mensagem pedindo tempo para que respostas sejam encontradas foi publicada na página da campanha "Encontrem James Foley" no Facebook, iniciada pela família do jornalista para buscar informações que pudessem ajudar a localizá-lo. "Sabemos que muitos de vocês querem uma confirmação. Por favor, tenham paciência até que tenhamos mais informações, mas mantenham Foley em seus pensamentos e preces", diz o texto. Foley estava na Síria cobrindo a guerra civil para o site GlobalPost, para a agência AFP e outros veículos quando foi capturado, em 22 de novembro de 2012. / WASHINGTON POST, e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.