Grupo estuda limitar bombas de fragmentação

Os integrantes de uma conferência sobre armas convencionais, com representantes de 88 países, chegaram a um acordo nesta sexta-feira para iniciar negociações com o objetivo de diminuir o número de vítimas civis das bombas de fragmentação, como as utilizadas pelos Estados Unidos no Afeganistão e em Kosovo.A decisão dos países que adotaram a Convenção sobre Armas Comuns, de 1981, foi tomada após um apelo urgente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para proteger as crianças dos artefatos não detonados que podem ficar no terreno após a bomba ser despejada."Os dados colhidos pela Cruz Vermelha sobre as vítimas pós-conflito em Kosovo mostrou que as submunições das bombas de fragmentação deixaram cinco vezes mais vítimas entre crianças menores de 14 anos do que as minas terrestres", informou Jakob Kellenberger, da Cruz Vermelha Internacional, em pronunciamento na semana passada.Os ativistas reclamam que as crianças são particularmente vulneráveis porque são atraídas pelos artefatos, cuja cor é amarelo fluorescente, mesma cor das remessas de ajuda humanitária lançadas pelos Estados Unidos no Afeganistão. As submunições explodem quando são tocadas ou pisadas.O grupo britânico Landmine Action disse ter calculado que os Estados Unidos despejaram aproximadamente 125.000 bombas do tipo. O cálculo foi baseado em informações fornecidas pelo Pentágono.Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, até o início de dezembro haviam sido despejadas 606 bombas de fragmentação sobre o Afeganistão. Cada uma contém 202 submunições.Dependendo dos ventos e das condições do terreno, os ativistas calculam entre 7% e 15% o índice de falhas em explosões durante o impacto, representando perigo para civis e forças de manutenção de paz.As bombas de fragmentação despejadas pelos Estados Unidos no sudeste da Ásia, há mais de 30 anos, explodem até hoje, informam os ativistas. "Há pelo menos uma explosão por semana deste tipo de munição no Laos", reclama Richard Lloyd, da Landmine Action.A conferência terminou nesta sexta-feira com um acordo sobre a criação de um grupo de trabalho para estudar a questão no próximo ano, com a possibilidade de que as negociações poderiam começar em 2003, disseram os diplomatas.Edward Cummings, chefe da delegação norte-americana, disse à Associated Press que os Estados Unidos apóiam a decisão para estudar a questão dos "explosivos remanescentes de guerras", não apenas as bombas de fragmentação, mas todos os artefatos não detonados deixados pelas guerras."O problema vai além da questão das bombas de fragmentação", disse Cummings. "Há um problema com minas terrestres. Isto acontece com artilharia, granadas, entre outros."Leia o especial

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