AP Photo/Esteban Felix
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Grupo feminista chileno que tem movimento replicado pelo mundo vai ao Estádio Nacional

Coletivo que canta e coreografa uma mensagem contra a violência de gênero desde novembro teve a iniciativa copiada em países da América Latina, Europa e América do Norte

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 13h05

Olhando para frente, em formação de filas e com a voz firme, um grupo de mulheres chilenas começou no fim de novembro a transmitir uma mensagem contra a violência de gênero que agora é replicada até em países da Europa. No meio da convulsão social por qual o Chile passa, o grupo "La Tesis", de Valparaíso, começou o movimento na capital Santiago e em outras cidades do país. 

Nesta quarta-feira, 4, o grupo vai até a frente do Estádio Nacional para fazer sua performance. As mulheres devem estar vestidas com roupas e vendas pretas, com lenços e batom vermelho. "E a culpa não era minha, nem onde estava, nem como me vestia", diz o refrão da música que mais uma vez será cantada pelo grupo. 

O local é emblemático por ter sido usado entre 12 de setembro e 9 de novembro de 1973 como campo de prisioneiros da ditadura de Augusto Pinochet. Os prisioneiros eram separados por sexo e eram interrogados no velódromo do estádio. Cerca de 40 mil prisioneiros passaram pelo estádio, onde muitos sofreram torturas. 

O Estádio Nacional chileno já foi palco de concertos pelos Direitos Humanos, alguns realizados pela Anistia Internacional, e, no mês passado receberia a final única da Copa Libertadores da América. O evento foi cancelado em razão dos protestos contra o governo de Sebastián Piñera, que tomaram as ruas da capital Santiago. 

Movimento replicado.

O vídeo com a coreografia "El violador eres tú" (o estuprador é você) viralizou nas redes sociais desde que foi divulgado no Dia Internacional da Violência contra a Mulher. O hino da luta no Chile ganhou expressão e passou a ser adotado por grupos feministas em outros países da América Latina, como BrasilColômbia e México

Na Europa, a música ganhou uma versão francesa em Paris e teve como palco a praça da Torre Eiffel. Em Madri, a coreografia foi feita na Porta do Sol. Barcelona e Berlim também se somaram ao movimento. Nos EUA, o palco da versão em inglês foi Nova York. / AFP 

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