Staff Sgt. Lexie West/U.S. Air Force via AP
Staff Sgt. Lexie West/U.S. Air Force via AP

Grupo islâmico ligado à Al Qaeda ataca base militar dos Estados Unidos no Quênia

Ataque foi interceptado por soldados quenianos e pelo menos quatro integrantes da milícia Al-Shabaab foram mortos; caso faz parte da campanha 'Al-Quds - Jerusalém jamais será judia'

Redação, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2020 | 07h38
Atualizado 05 de janeiro de 2020 | 17h55

Três militares americanos morreram neste domingo, 5, após um ataque a uma base militar do Quênia. Cinco integrantes do grupo islâmico Al-Shabaab, da Somália, que reivindicou a autoria do atentado, também foram mortos. A base no condado de Lamu, no litoral do país, é conhecida como "Acampamento Simba", o local é utilizado pelos soldados americanos em parceria com as forças quenianas. Vários aviões e veículos americanos foram destruídos. Foi o primeiro ataque contra os EUA do grupo extremista ligado à Al-Qaeda no país da África Oriental.

O Al-Shbaab tinha afirmado que a ação resultou em 17 vítimas dos EUA, nove soldados quenianos mortos e sete aviões destruídos. O comando militar americano, no entanto, chamou as alegações do Al-Shabaab de "exageradas" e repudiou o ataque.

"Um grupo de elite dos soldados da 'Brigada do Martírio' da Al-Shabaab lançou um ousado ataque ao amanhecer, em uma base naval dos EUA conhecida como 'Acampamento Simba' no condado de Lamu, no Quênia", disse o comunicado do grupo Al-Shabaab. A milícia ainda assegurou que o ataque faz parte da campanha "al-Quds - Jerusalém jamais será judia", um slogan usado desde janeiro do ano passado, para justificar o atentado contra o complexo turístico Dusit, em Nairobi, onde morreram 21 pessoas.

"A base abriga centenas de militares dos EUA e soldados quenianos, e serve como uma das muitas plataformas de lançamento da cruzada americana contra o Islã, na região", acrescentou a nota.

O Quênia é uma base chave para combater o Al-Shabaab, uma das mais resistentes organizações extremistas do mundo. O comissário do condado de Lamu Irungu Macharia disse à The Associated Press que cinco suspeitos foram presos e estavam sendo interrogados.

Um relatório interno da polícia queniana visto pela AP diz que duas aeronaves, uma dos Estados Unidos e outra do Quênia, teriam sido destruídas juntamente com dois helicópteros e vários veículos americanos.  

"O ataque lançou uma nuvem escura de fumaça no ar", disse Abdallah Barghash. Ele estava entre a multidão que via de perto o desenrolar da ação na Ilha Manda. O local é um dos principais pontos turísticos do país. Outras testemunhas dizem que um carro bomba foi utilizado na ação.

No entanto, neste primeiro momento, as consequências não parecem tão graves. "Devido à violação malsucedida, houve um incêndio que afetou alguns dos tanques de combustível localizados na pista de pouso", disse a Autoridade de Aviação Civil do Quênia. "Mas as pistas já estão seguras e liberadas".

O mesmo diz o coronel Cristopher Karns, das forças dos Estados Unidos. Ele classifica como 'exagerada' a atitude do Al-Shabaab.

O Al-Shabaab frequentemente lança ataques no Quênia, incluindo o plantio de bombas na estrada e ataques a veículos civis. Na última semana, eles mataram três passageiros quando atacaram um ônibus no condado de Lamu, informou a polícia.

O ataque do domingo ocorre dias depois de os Estados Unidos terem matado o principal comandante militar do Irã, Qassim Suleimani. Ainda não há sinal de ligação entre as duas ações.

"Não, este ataque não está relacionado com aquele incidente" no um porta-voz do Al-Shabaab disse à AP. Ele falou sob condição de anonimato por razões de segurança.

O analista Rashid Abdi disse, por meio de sua conta no Twitter, que acredita que o ataque não tem nada a ver com as tensões no Oriente Médio. Porém, ele acrescentou que, recentemente, os serviços de segurança quenianos estão preocupados com o fato de o Irã estar tentando cultivar laços com a Al-Shabab.

"O Al-Shabaab é declaradamente wahhabita, que é sunita, não sendo um aliado natural do Irã, xiita. Suas relações são hostis, até. Mas, se aquilo que o Quênia afirma, for verdade, então o ataque do Al-Shabaab pode ter sido uma forma oportuna de sinalizar ao Irã, de que eles estão abertos a alianças táticas", escreveu./ REUTERS, AFP e AP 

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