Grupo ligado à Al-Qaeda assume controle de cidade no Iraque

Exército responde com bombardeio que mata 8 pessoas e intensifica confrontos sectários

04 de janeiro de 2014 | 11h39

A violência no Iraque ameaça escapar do controle e ameaça a frágil estabilidade do governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki. Neste sábado, 4, milicianos sunitas ligados à Al-Qaeda assumiram o controle total da cidade de Faluja e anunciaram a criação de um Estado independente. Na tentativa de retomar o território, Bagdá respondeu com pesados bombardeios que mataram oito pessoas.

Os milicianos integram o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), grupo que luta pela criação de um califado em território iraquiano e sírio. A insurgência se intensificou no início do ano na Província de Anbar, especialmente nas cidades de Faluja e Ramadi, redutos do extremismo sunita, que tem aumentado em reação ao governo xiita de Maliki.

A mais recente onda de violência começou no dia 2, após o desmantelamento de um acampamento de manifestantes sunitas em Ramadi, que protestavam contra o governo do primeiro-ministro há mais de um ano. Os insurgentes entraram em confronto com forças de segurança e ocuparam prédios oficiais nas duas cidades.

A segurança da Província de Anbar vem se deteriorando lentamente desde quando os EUA retiraram suas tropas da região, há dois anos. Faluja e Ramadi foram os redutos da insurgência que se seguiu à invasão do Iraque, em 2003. Foi nessa província que os americanos perderam um terço de suas tropas na guerra.

Apesar de os confrontos seguirem uma lógica sectária, de sunitas contra xiitas, alguns analistas apontam outras causas para a nova insurgência iraquiana. Segundo Marina Ottaway, do Woodrow Wilson Center, a violência é uma reação à tentativa de Maliki de apertar ainda mais o controle central sobre as províncias. Hoje, um terço delas busca alguma forma de autonomia parecida com a obtida pelo Curdistão, no norte do país.

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