Grupo ligado à Al-Qaeda ataca rebeldes na Síria

Confrontos entre extremistas islâmicos e dissidentes fecham fronteira com Turquia

O Estado de S. Paulo,

02 de outubro de 2013 | 22h00

BEIRUTE - Combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), grupo ligado à Al-Qaeda, atacaram ontem rebeldes sírios perto da fronteira com a Turquia. O confronto dá uma ideia da volatilidade da guerra civil, que se arrasta há dois anos e meio. No mês passado, o ISIL assumiu o controle da cidade de Azaz e expulsou os rebeldes, o que levou a Turquia a fechar o posto de controle.

O ISIL, que luta por um Estado islâmico na Síria, mantém o controle da cidade desde então. Ativistas informaram que os confrontos mais recentes eclodiram na noite de terça-feira, depois de encerrado o prazo imposto pelo grupo para que os rebeldes depusessem as armas. "Há choques muito violentos nos arredores de Azaz. O ISIL fechou todas as estradas que levam à Turquia e a situação está muito tensa", disse o ativista Jamal Yusuf, falando da Turquia.

Segundo Yusuf, o fechamento da fronteira dificulta a fuga dos sírios. O posto de controle era fundamental para as áreas nas mãos dos rebeldes, permitindo a saída dos refugiados e o ingresso dos suprimentos. "As pessoas não querem nenhum dos dois. Elas não querem o ISIL, nem os rebeldes", afirmou o ativista sírio.

No ISIL, o número de combatentes estrangeiros é maior do que em outras brigadas islâmicas extremistas que lutam na Síria. A facção é vista com desconfiança por outros grupos rebeldes ideologicamente menos radicais. Em mensagem divulgada esta semana, o grupo disse que sua imagem está sendo distorcida por uma "ampla campanha da imprensa" que tenta culpá-los pelos conflitos, ignorando suas vitórias militares ou atribuindo-as a outros grupos.

O ISIL acusou os rebeldes sírios de "abrir uma frente" contra o grupo islâmico na área de Azaz e de conspirar com o "porco americano John McCain" contra os islamistas. McCain, senador republicano que pediu a ajuda militar dos EUA aos rebeldes, visitou Azaz em maio e foi fotografado ao lado de combatentes.

A divisão entre os rebeldes e a influência de islâmicos radicais deixaram o Ocidente relutante quanto a uma intervenção no conflito. Os EUA ameaçaram uma ação militar contra Bashar Assad após o ataque com gás sarin em Damasco, mas recuou e aceitou a proposta russa para tirar o arsenal químico do regime.

Uma equipe de investigadores, que começará a eliminar essas armas, chegou à Síria na terça-feira. O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitali Churkin, afirmou que as inspeções começarão na segunda-feira. O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que a comunidade internacional está "no caminho certo" ao tentar buscar uma solução negociada para o conflito civil. / AP e REUTERS

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