Grupo ligado a Cristina atrasa saída de jornais argentinos

Sindicato de caminhoneiros impede, por três horas, circulação do ''Clarín'' e do ''La Nación''

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

O sindicato dos caminhoneiros, sob a influência do secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, aliado da presidente argentina, Cristina Kirchner, bloqueou na madrugada de terça-feira a distribuição de exemplares dos jornais Clarín e La Nación por mais de três horas. O bloqueio foi divulgado ontem pelos dois jornais.

Os caminhoneiros alegam que a distribuição foi paralisada porque eles estavam em assembleia na porta das oficinas para levar a "solidariedade" a trabalhadores de outro sindicato, do setor gráfico, que supostamente enfrentam problemas trabalhistas.

As diretorias dos dois jornais, porém, disseram que o verdadeiro motivo seria as diversas reportagens publicadas pelo Clarín e pelo La Nación, nos últimos dias, que envolvem Moyano, a mulher dele e as empresas de sua família em uma série de casos de corrupção.

Um dos escândalos de Moyano é o pagamento de subsídios da APE (Administração de Programas Especiais, organismo do governo federal, comandado por seus aliados) ao sindicato dos caminhoneiros para a compra de remédios para tratamento do câncer. O organismo tem um orçamento de US$ 625 milhões anuais.

Ambos os jornais mantêm posições costumeiramente críticas ao governo de Cristina. O Clarín e o La Nación têm sofrido retaliações da Casa Rosada há dois anos. Desde 2008, os jornais são acusados pela presidente de estar por trás de uma tentativa de "golpe de Estado" em aliança com grupos da oposição e ruralistas. A presidente costuma afirmar que tem sido vítima de um "fuzilamento midiático".

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