REUTERS/Zoubeir Souissi
REUTERS/Zoubeir Souissi

Grupo ligado ao EI reivindica autoria de ataque na Tunísia

O atentado suicida provocou ontem a morte de 12 militares e deixou outras 20 pessoas feridas no centro de Túnis, capital do país; o grupo ameaçou prosseguir com os ataques

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 16h32

TÚNIS - Uma célula terrorista da Tunísia ligada ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta quarta-feira, 25, a autoria do atentado suicida que provocou ontem a morte de 12 militares e deixou outras 20 pessoas feridas no centro de Túnis, capital do país. O grupo ameaçou prosseguir com os ataques.

Em comunicado divulgado no Twitter, a filial tunisiana do EI afirma que um homem, apresentado em uma fotografia e identificado como Abu Abdallah al-Tunisi, "detonou um colete explosivo em um ônibus na Avenida Mohammed V para castigar os infiéis da Tunísia".

"Não haverá segurança neste país nem cessarão nossas ações até que a Tunísia se submeta à sharia (lei islâmica). Alá é quem vence, embora muita gente não saiba", concluiu o breve comunicado, que inclui a foto do jovem terrorista usando o colete de explosivos e fazendo o sinal da vitória com os dedos.

Na manhã desta quarta-feira, a presidência da Tunísia já tinha confirmado que o ataque tinha sido cometido por um suicida, cujo corpo foi encontrado junto com os dos 12 guardas presidenciais mortos.

Horas depois do incidente, as primeiras informações apontavam a possibilidade de um explosivo ter sido acoplado na parte de baixo do ônibus. Outra hipótese indicava uma bomba colocada em uma mochila abandonada na estrada.

O atentado de ontem contra o ônibus da guarda presidencial é o terceiro registrado na Tunísia em 2015 e representa uma mudança de estratégia dos jihadistas já que, nos dois anteriores, em março e junho, os alvos foram os turistas estrangeiros.

No primeiro ataque, jihadistas abriram fogo contra turistas no Museu do Bardo, em Túnis, matando 22 pessoas e no segundo dispararam contra estrangeiros em um resort na cidade costeira de Sousse, deixando 38 mortos.

O governo da Tunísia anunciou ontem que fechará por 15 dias sua fronteira com a Líbia e recrutará mais 6 mil integrantes para suas forças de segurança para se proteger de tunisianos que retornam de áreas de conflito como a Síria.

Várias dezenas de tunisianos protestaram hoje no centro da capital contra o terrorismo jihadista, além de defenderem a revolução de 2011 e a transição política. Eles levavam cartazes e bandeiras da Tunísia com a imagem de Shukri Bellaid, o político de esquerda assassinado pelos terroristas em 2013.

E também faz parte da luta que as forças de segurança mantêm com grupos insurgentes locais desde 2011, que se refugiam na região de Kaserin, uma área montanhosa de difícil acesso vizinha à fronteira com a Líbia.

Nos últimos 60 dias, o Ministério do Interior da Tunísia tinha anunciado o desmantelamento de mais de dez células terroristas, a prisão de cerca de 50 pessoas e impediu um "atentado iminente". / EFE

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