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Grupo não repetiu sucesso do Hezbollah

O Hamas não ofereceu a mesma resistência do grupo xiita libanês em sua guerra contra Israel

Gustavo Chacra, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

O Hamas fracassou na sua guerra contra Israel. O grupo não conseguiu repetir o sucesso do grupo xiita libanês Hezbollah, em 2006. A organização palestina sai com a imagem de derrotada e vê os israelenses novamente fortalecidos ao reconquistar o poder de dissuasão em sua disputa com os palestinos.Com o conflito próximo do fim, 13 israelenses morreram, sendo que apenas 9 em ações do Hamas - os outros foram mortos por fogo amigo. O Hezbollah, na guerra de 2006, conseguiu matar 117 soldados israelenses, além de 43 civis. No último dia do conflito, o grupo libanês lançou uma chuva de mísseis contra cidades do norte de Israel. O Hamas cada dia que passa é capaz de lançar menos foguetes contra Sderot e Ashkelon.Apesar de possuir armas bem menos poderosas do que os mísseis do Hezbollah, esperava-se mais resultados da resistência do Hamas, especialmente após a ofensiva terrestre de Israel. Analistas diziam que o grupo havia preparado uma série de armadilhas. Utilizariam túneis para pegar os israelenses de surpresa. Homens-bomba com uniforme do Exército de Israel se explodiriam ao se aproximar dos verdadeiros militares. E, acima de tudo, a aposta era que o grupo sequestraria outros soldados para fazer companhia a Guilad Shalit, capturado há dois anos e meio. Nada disso aconteceu. Os israelenses entraram em Gaza e quase não enfrentaram resistência. Os militantes do Hamas foram mortos ou desapareceram. Lembrou o início da ofensiva americana contra Saddam Hussein no Iraque. Dizia-se, na época, que haveria dificuldade para os americanos quando entrassem em Bagdá. O que ocorreu foi o inverso. Os iraquianos leais a Saddam desapareceram para ressurgir como insurgentes meses depois. Alguns analistas não descartam a possibilidade de que, se Israel mantiver as suas forças em Gaza, militantes do Hamas possam usar a mesma estratégia.A história do Líbano não se repetiu em Gaza pois Israel aprendeu em parte a lição e o Hezbollah tem muitas vantagens em relação ao Hamas. Primeiro, o grupo libanês possui uma fronteira porosa com a Síria, que permitiu seu reabastecimento de armas. Em segundo, os militantes do Hezbollah são mais bem preparados. Mais importante, o grupo tinha uma liderança unificada ao redor do xeque Hassan Nasrallah. Os líderes do Hamas são divididos entre os que estão em Gaza e os que vivem no exílio, além de haver divergências entre a ala militar e a política.

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