Grupo que deu origem à Al-Qaeda argelina atua desde 98

Responsável pelo atentado a bomba que atingiu a capital da Argélia nesta quarta-feira, 11, deixando ao menos 23 mortos, o grupo terrorista Al-Qaeda do Magreb Islâmico assumiu o nome da rede de Osama bin Laden apenas no início deste ano. Até então conhecido como Grupo Salafista para a Pregação e o Combate, ou apenas GSPC, a organização opera desde 1998, e muitos de seus membros estão na luta armada contra o governo secular da Argélia desde o início dos anos 1990. Isso porque o GSPC surgiu como uma dissidência do Grupo Islâmico Armado (GIA), que começou a atuar no país do Norte da África em 1992, depois que o Exército cancelou uma eleição que parecia ganha por um partido islâmico. Assim como o GIA, o GSPC tem como objetivo principal instalar um Estado fundamentalista na Argélia. A palavra "salafi" significa "fundamentalista", e os salafistas buscam uma interpretação pura do Alcorão.Usando estratégias que visavam diminuir os danos civis, o GSPC conseguiu apoio popular e se sobrepôs ao GIA como principal grupo insurgente da Argélia. Além de ataques contra forças de segurança e edifícios governamentais argelinos, o GSPC também concentrou suas ações em alvos ocidentais, e esteve ligado a vários ataques frustrados em território europeu. Segundo relatórios de agências de inteligência ocidentais, o GSPC manteve os contatos com grupos extremistas antes aliados do GIA, incluindo a Al-Qaeda. Mas foi apenas em 2003 que o grupo salafista anunciou publicamente sua aliança com a rede de Bin Laden. Em setembro de 2006, o número 2 da organização, Ayman al-Zawahiri, aprovou publicamente a aliança entre a Al-Qaeda e o GSPC. Como conseqüência, o grupo salafista anunciou a mudança de nome para Al-Qaeda do Magreb Islâmico em fevereiro deste ano, após uma série de seis ataques contra delegacias de polícia em cidades no leste da Argélia. Atualmente, embora atuando com mais força na Argélia, sabe-se que a Al-Qaeda do Magreb Islâmico possui ligações com outros grupos terroristas do Norte da África, fazendo da região uma potencial plataforma para o lançamento de ataques contra o território europeu. Sabe-se ainda que o grupo tem recrutado militantes para operações suicidas no Iraque.

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