Grupo quer lei islâmica em cidade alemã

Um grupo de muçulmanos radicais na cidade de Wuppertal, na Alemanha, se autoproclamou guardião da moral pública e começou a operar como "Polícia da Sharia", numa tentativa de impor a estrita lei islâmica aos muçulmanos locais.

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2014 | 02h02

De acordo com o jornal israelense Haaretz, cerca de doze jovens muçulmanos, vestindo coletes de segurança laranjas com as palavras "Polícia da Sharia", foram vistos na última semana na porta de discotecas, bares e patrulhando as ruas da cidade. Segundo relatos, eles distribuíram panfletos incitando os muçulmanos a observar as restrições islâmicas contra o álcool, as drogas, os jogos de azar, a pornografia e a prostituição. Em vídeos na internet, o grupo afirma que está tentando implementar uma "zona controlada de sharia".

Um fenômeno parecido foi relatado em Londres, com radicais islâmicos que lutam pela imposição da sharia em diversas áreas da cidade.

O líder do grupo alemão é Sven Lau, de 33 anos, um ex-bombeiro convertido ao islamismo, que também dirige uma organização radical chamada "Convite para o Paraíso", que se identifica com o movimento salafista, corrente ultraconservadora do Islã com forte apoio no Oriente Médio.

As acusações de reunião ilegal e uso de uniforme em público foram feitas contra onze membros do grupo na semana passada. Recentemente, a polícia alemã também teve de lidar com duas acusações de assédio contra muçulmanos radicais na cidade de Bonn. Em um dos casos, o grupo tentou forçar uma menina muçulmana a usar o véu. A outra acusação foi de terem agredido um jovem que havia ingerido bebida alcoólica.

Membros da extrema direita em Wuppertal responderam ao aparecimento dos salafistas com um grupo chamado "Cidade de Defesa", dedicado a devolver a segurança e restabelecer a ordem na região.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, prometeu que o governo não tolerará os vigilantes da sharia. "Ninguém terá permissão para manchar o bom nome da polícia alemã", disse em entrevista ao tabloide Bild, no fim de semana.

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