Grupo rebelde se diz favorável a negociações de paz no Afeganistão

Hezb-i-Islami quer ser elo entre as autoridades e as lideranças Taleban para estabalecer diálogo

Reuters

24 de março de 2010 | 15h25

CABUL - Um dos principais grupos insurgentes do Afeganistão se diz pronto para assinar um acordo e atuar como um elo das autoridades com o Taleban caso Washington mantenha os planos de começar a retirada das tropas americanas no ano que vem, disse um negociador rebelde.

 

As considerações do representante do Hezb-i-Islami foram as primeiras vindas dos insurgentes sugerindo que eles poderiam cooperar com as negociações e buscar uma solução diplomática para os conflitos no Afeganistão. O presidente afegão, Hamid Karzai, reconheceu nesta semana que encontrou uma delegação do Hezb-i-Islami em suas primeiras conversas diretas com uma das três maiores facções rebeldes que lutam contra seu governo e as tropas estrangeiras.

 

Em uma entrevista em um hotel de Cabul, Mohammad Daoud Abedi disse que a decisão de apresentar um plano de paz foi uma reação direta ao discurso do presidente americano, Barack Obama, em dezembro, quando anunciou o envio de mais 30 mil soldados ao país e o início da retirada das tropas no meio de 2011. "A formula é essa. Nenhum inimigo é inimigo para sempre, e nenhum amigo é amigo para sempre. Se é isso o que a comunidade internacional planeja, que é deixar o país, temos de fazer a situação favorável", disse Abedi.

 

As negociações entre Karzai e o Hezb-i-Islami estão em um estágio preliminar, mas o grupo já apresentou um plano com 15 pontos fundamentais. Abedi afirmou que as conversas previstas no plano são flexíveis e indicou que os rebeldes podem estar satisfeitos com os prazos dados por Obama.

 

"Antes de mais nada, não está escrito, não é um verso do Corão impedir que isso seja mudado. É um primeiro passo. Se concordarmos com essa data de saída, os EUA nos deixarão. Temos tempo, eles disseram 18 meses", disse Abedi, sobre uma possível preparação antecipada da saída das tropas americanas como garantia de que os prazos serão cumpridos.

 

"Se chegarmos a um acordo e essas preparações estiverem realmente sendo realizadas, é um passo positivo. Vai significar que os EUA realmente querem se retirar. Porque agora, o problema principal é a confiança entre os dois lados", completou o porta-voz insurgente.

 

Segundo ele, fatos concretos dessas preparações seriam a retirada das tropas das cidades e retorná-las para as bases. Os EUA dizem que qualquer retirada será realizada de forma gradual e a velocidade dependerá das condições da situação.

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