Grupo retira ameaças raciais na África do Sul

Grupo retira ameaças raciais na África do Sul

Supremacistas desistem de vingar a morte de líder de grupo extremista por jovens negros

Reuters, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

VENTERSDORP, ÁFRICA DO SUL

O Movimento de Resistência Africânder (AWB) desistiu ontem de qualquer resposta violenta para vingar a morte do líder supremacista branco Eugene Terreblanche, assassinado violentamente no sábado no vilarejo de Ventersdorp, no norte do país. "O AWB não empreenderá nenhuma ação violenta em retaliação à morte de Terreblanche", disse Pieter Steyn, porta-voz do grupo. "Pedimos calma neste momento. Qualquer pessoa que praticar um ato de violência agora não estará fazendo em nome da AWB."

Terreblanche, líder histórico do AWB, grupo que lutou pela preservação do apartheid nos anos 90, foi morto a pauladas por dois jovens negros. O secretário-geral do movimento, Andre Visagie, tinha dito que a morte do líder radical era "uma declaração de guerra" dos negros contra os brancos. "O próximo passo para o AWB será enterrar seu líder em paz, mas depois vingaremos a sua morte", disse.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, condenou ontem o assassinato e pediu calma aos sul-africanos. Zuma falou em "harmonia" entre os povos e exigiu que ninguém se aproveitasse do assassinato para incitar o ódio no país.

Ontem, a mãe de um dos jovens suspeitos do crime confirmou a participação do filho, de 15 anos, no assassinato. O adolescente e um homem de 28 teriam usado uma barra de ferro para matar o extremista. Os dois já foram localizados e presos pela polícia.

Ela diz que os dois trabalharam na fazenda de Terreblanche, mas não receberam pagamento pelo serviço. Após o crime, representantes do AWB chegaram a fazer ameaças à população negra, aumentando o risco de uma onda de violência racial no país.

Simpatizantes de Terreblanche participaram ontem do velório do líder do AWB, movimento que tem hoje cerca de 70 mil seguidores e cada vez menos apoio na África do Sul. Andries Terreblanche, irmão do extremista morto, defendeu a posição do grupo. "Não somos racistas, apenas acreditamos na pureza da raça", disse.

Copa. O Instituto Sul-Africano de Relações Raciais, tradicional centro de estudos do país, atenuou o efeito do assassinato de Terreblanche sobre a realização da Copa do Mundo no país. "Não há motivos para esse acontecimento trágico afetar a segurança dos torcedores e jogadores durante o Mundial", declarou o vice-presidente do Instituto, Lawrence Schlemmer.

Para entender

Democracia não resolveu tensão racial

A tensão entre negros e brancos sempre existiu na África do Sul. Leis restritivas impostas pelos brancos culminaram no apartheid, que vigorou de 1948 a 1990. A redemocratização não resolveu o problema. Os negros reclamam da falta de inclusão econômica. Os brancos queixam-se da queda no nível de vida.

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