Malek Al Shemali/Reuters
Malek Al Shemali/Reuters

Grupo sírio ligado à Al-Qaeda ‘declara guerra’ a forças rivais

Expulsa de Alepo por outros grupos anti-Assad, facção que tenta criar um Estado islâmico promete ‘esmagar’ opositores

O Estado de S. Paulo,

08 de janeiro de 2014 | 18h32

DAMASCO - Um grupo vinculado à Al-Qaeda anunciou nesta quarta-feira, 8, que lançará uma campanha contra rivais da oposição síria, ameaçando elevar a um novo patamar a violência dentro das fileiras dos rebeldes em luta contra o regime de Bashar Assad. Nos últimos cinco dias, confrontos entre facções guerrilheiras na Síria mataram centenas.

A "declaração de guerra" veio um dia depois de a organização Estado Islâmico no Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), que integra a rede da Al-Qaeda, ter sido expulsa de uma de suas principais bases, em Alepo, por grupos armados rivais. Ontem, o ISIL emitiu um comunicado prometendo "esmagar completamente e matar a conspiração em seu berço".

Na terça-feira, rebeldes sírios tomaram um hospital de Alepo usado pelo ISIL como base. A ofensiva foi lançada por várias organizações rebeldes que decidiram se unir contra o grupo ultrarradical, que prega a criação de um califado e o extermínio de xiitas no Iraque, Síria, Líbano e Iêmen.

DIFERENÇAS

Um outro grupo vinculado à Al-Qaeda, conhecido como Frente Al-Nusra, exortou as facções anti-Assad a firmar uma trégua. Assim como o ISIL, a Al-Nusra é parte da rede jihadista internacional e grande parte de seus combatentes vêm do exterior. O segundo grupo diz que seu objetivo imediato não é a imposição de um Estado islâmico em solo sírio, mas sim a deposição de Assad - e, para isso, aceita colaborar com outras facções sírias.

No comunicado lançado ontem, o ISIL também chamou todos os combatentes na Síria a "arrancarem as cabeças" dos rebeldes vinculados à Coalizão Nacional Síria, guarda-chuva que reúne grupos de oposição apoiados pelo Ocidente e, de modo geral, pelo bloco árabe.

Insurgentes jihadistas controlam grande parte da rebelião na Síria, iniciada por grupos laicos ou por islâmicos moderados. Com um saldo de mais de 120 mil mortos e milhões de deslocados, a guerra civil síria completará três anos em março. / REUTERS e AP

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