Grupos afegãos anunciam amanhã o governo interino

Depois de estabelecer as bases do acordo sobre a transição política no Afeganistão, os quatro grupos que negociam o futuro do país em Bonn, na Alemanha, devem anunciar nesta quarta-feira os nomes dos 29 representantes do governo interino que substituirá, no dia 22, o autoproclamado presidente afegão, Burhanudin Rabbani.A chefia desse gabinete interino, que administrará o Afeganistão por seis meses, deve ficar a cargo do senhor da guerra pró-monarquia Hamid Karzai. Outro candidato ao cargo, Abdul Sattar Sirat, também partidário do rei deposto Zahir Shah, foi convencido a abandonar sua pretensão para não emperrar as negociações para a formação do governo interino.Os membros do gabinete de transição serão escolhidos a partir de uma lista de 150 candidatos apresentados pelos quatro grupos políticos representados na conferência: os partidários de Zahir Shah, a Aliança do Norte, os afegãos no exílio e os líderes tribais pashtuns da Conferência de Peshawar. Cada um dos principais grupos étnicos do Afeganistão - pashtun, usbeque, tajique e hazara - terá direito a apontar um vice-chefe de governo. Uma mulher, provavelmente a pashtun Fatima Gailani, ocupará uma quinta vice-chefia.O enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, afirmou que os cargos do Ministério serão ocupados segundo critérios de "capacitação profissional e integridade pessoal, obedecendo sempre o equilíbrio étnico".O acordo que definiu prazos e a forma do governo interino para o Afeganistão dá aos membros da conferência de Bonn autoridade para formar um gabinete que deverá administrar o país por seis meses. No fim desse período, uma Loya Jirga - a assembléia de notáveis formada por autoridades religiosas e tribais do país - elegerá um novo gabinete para administrar o Afeganistão para os 18 meses seguintes. Caberá a essa segunda administração interina entregar o poder para um governo eleito.Os delegados enviados a Bonn concordaram também com o envio, "no menor prazo possível", de uma força internacional, sob o mandato das Nações Unidas, para o Afeganistão. A aprovação dos nomes para o novo governo por consenso deve ajudar o Afeganistão a obter os bilhões de dólares prometidos por várias entidades internacionais para ajudar na construção do país.Leia o especial

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