Grupos atuam como guarda informal

Mais emblemática das favelas de Caracas, a 23 de Enero expõe nas suas ruelas os superblocos da ditadura de Pérez Jiménez e os símbolos do regime criado por Hugo Chávez, mas oculta os grupos paramilitares entre as associações de moradores.

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h00

O complexo tem cerca de 150 mil habitantes. No governo Chávez e agora, sob a presidência de Nicolás Maduro, esses grupos tornaram-se uma espécie de guarda pretoriana informal e reagem com violência, ao lado das forças regulares de segurança, contra os que querem a mudança de governo.

O mundo todo absorve agora a expressão "coletivo" como sinônimo dos grupos armados pelo governo de Chávez. Trata-se de uma meia-verdade. Primeiro, porque há coletivos genuinamente pacíficos e voltados para o trabalho comunitário. A maioria deles nasceu antes do fenômeno Chávez.

Segundo, porque há bandos criminosos derivados das guerrilhas urbanas que combateram Pérez Jiménez, nos anos 50, e outras criadas depois do Caracazo, a brutal repressão a protestos populares em 1989.

Mas também há os coletivos nascidos com Chávez depois de sua tentativa de golpe de Estado, em 1992 - os quais jogaram papel fundamental no fracasso do golpe contra ele, em 2002. Todos eles fazem seu trabalho social graças ao financiamento de seus projetos por órgãos do governo. Não à toa, Chávez criou o Ministério para as Comunas, como intermediário oficial com os coletivos.

"Quando o processo está em risco, todos os coletivos se juntam em sua defesa", afirmou Carlos Rodríguez, líder dos coletivos La Dignidad, em Chacao, e Fabrício Ojega, no 23 de Enero, e um dos fundadores do coletivo Tupamaro. "As nossas lutas dependem do ataque que sofremos."

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