Grupos chavistas estudam deixar partido governista

Movimentos denunciam hostilidade de líderes do PSUV e analisam a criação de legendas independentes

CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h00

Além das dificuldades econômicas causadas pela grave crise de abastecimento enfrentada pela Venezuela, o presidente Nicolás Maduro pode ter de enfrentar, num futuro próximo, a insatisfação de líderes políticos que até pouco tempo o apoiavam e agora pensam em fundar novos partidos políticos.

De acordo com reportagens publicadas ontem pelo jornal El Nacional e pelo semanário Panorama, a Marea Socialista, corrente interna do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e o fórum de discussão Aporrea, onde muitos socialistas publicam artigos cobrando medidas de Maduro, estão "sob suspeita" de dirigentes partidários em razão de críticas recentes feitas ao governo, o que poderia levar à fundação de novas agremiações independentes.

"Existem organizações ou grupos que estavam dentro do PSUV e estão decidindo ser independentes em nível regional e nacional", afirmou ao Panorama o cientista político Nicmer Evans, militante do partido fundado por Hugo Chávez, mas que aderiu à Marea Socialista.

"Isso é produto da ausência de uma democracia real dentro de PSUV e da possibilidade de facilitar a participação de diversas correntes", explicou Evans, ao dizer que sua corrente só decidirá pela independência ou não do PSUV após seminário marcado para o dia 12.

No fim de semana, em um programa na emissora estatal VTV, tanto a Marea Socialista quanto o Aporrea foram associados a paramilitares e à ultradireita, o que enfureceu muitos dirigentes da corrente. A Marea classificou as declarações de irresponsáveis e pediu direito de resposta ao canal.

Além disso, o analista William Izarra afirmou que, em alguns dias, surgirá um movimento independente do PSUV que "resgatará o legado do presidente Chávez".

"Será uma alternativa ao processo revolucionário para seguir avançando na construção do socialismo. Foram solicitados ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) os nomes Plataforma de Quadros, Plataforma Unitária e Movimento de Democracia Direta", disse Izarra ao semanário.

Cerca de 200 organizações - chavista e de oposição - aguardam para ser legalizadas, segundo fontes do CNE.

Otimismo. Em entrevista publicada no domingo pelo jornal El Universal, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que também é vice-presidente do PSUV, disse que a sigla está otimista para as eleições parlamentares de 2015 em razão dos resultados do congresso do partido, de julho.

"Estamos muito bem, muito otimistas. Acabamos de sair de um Congresso em que todos esperavam que o partido iria implodir", disse Cabello que, no meio de junho, havia enviado um recado para os que criticam a organização interna do partido: "Se não gostam como funciona o PSUV, vão e fundem um outro partido", disse na ocasião.

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