Grupos criticam Mianmar por volta de população a local devastado

Mianmar precisa parar de forçar que ossobreviventes do ciclone Nargis retornem para suas casasdestruídas, onde eles poderão enfrentar mais miséria e atémorte, disseram grupos de defesa dos direitos humanos nestesábado, enquanto uma autoridade dos Estados Unidos acusava ogoverno militar de ser "surdo e mudo" em relação aos apelosvindos do exterior. A junta da ex-Birmânia começou a retirar as famílias decentros de socorro do governo na sexta-feira, aparentementetemendo que as vilas de tendas tornem-se permanentes. "É irresponsável que os generais da Birmânia forcem asvítimas do ciclone a voltar para suas casas devastadas", disseBrad Adams, diretor da Ásia do Human Rights Watch, emcomunicado. "Alegar o retorno da 'normalidade' não é fundamentopara levar as pessoas de volta para grande miséria epossivelmente, morte", acrescentou. Mianmar disse que os esforços de resgate e ajuda estãoterminados e agora o foco é a reconstrução, mas a Organizaçãodas Nações Unidas disse que a escala de devastação significaque a fase de auxílio após a passagem do ciclone, que ocorreuno dia 2 de maio, deve durar seis meses. Em um dos mais ríspidos comentários de Washington sobre aresposta de Mianmar ao ciclone, o Secretário de Defesa, RobertGates, disse que dezenas de milhares de pessoas morreram devidoà recusa do governo militar de permitir ajuda estrangeira. Quase uma semana após o líder do governo, Than Shwe, terprometido permitir que "todas" as equipes de ajuda humanitárialegítimas entrassem no país, 45 pedidos de vistos da ONU foramaprovados na quarta-feira, mas as autoridades continuamdificultando o acesso ao delta do rio Irrawaddy. Navios norte-americanos e de outros países ocidentaistambém foram impedidos de desembarcar equipes nas áreasdevastadas. "Sabíamos que teríamos que partir em algum momento, masesperávamos mais apoio", afirmou Kyaw Moe Thu, de 21 anos,enquanto deixava o campo de refugiados com cinco irmãos eirmãs. Eles receberam 20 estacas de bambu e algumas lonas parareconstruir suas vidas na delta do Irrawaddy, onde 134.000pessoas morreram ou estão desaparecidas. "É melhor que elesvoltem às suas casas, onde são mais estáveis", disse umaautoridade do governo. SOBREVIVENDO DE PEIXES E RÃS U Kyi, que fugiu com suas mulher para o campo de Kawhmu, aosul de Yangon, dias após a tempestade, afirmou que preferiavoltar para casa. "Infelizmente, quase toda a vila ainda estáisolada e não podemos voltar", afirmou o homem de 70 anos. Uma autoridade da ONU em Yangon disse que o ritmo dosfechamentos pegou muitas agências de surpresa. "Sabíamos queisso aconteceria, mas não esperávamos que acontecesse tãorápido", disse a autoridade, que não quis se identificar. A ONU não confirmou rumores de que o despejo estavaocorrendo nos campos do governo ao longo do delta, mas aporta-voz da entidade, Marie Okabe, disse a repórteres em NovaYork que "qualquer movimento de pessoas forçado ou coercitivoera inaceitável". As retiradas ocorreram depois que a imprensa oficialcriticou a ajuda estrangeira e os pedidos dos doadores de teracesso ao delta do rio, dizendo que as vítimas do ciclonepoderiam "cuidar de si mesmas" e que não precisavam de "barrasde chocolate" dos países estrangeiros. Um editorial na sexta-feira no jornal Nova Luz de Mianmardisse: "Os cidadãos de Mianmar podem facilmente conseguirpeixes para comer pescando nos campos e valas" e afirmou aindaque "rãs comestíveis são abundantes". Em Cingapura, o secretário de Defesa dos EUA, comparou arelutância de Mianmar em aceitar ajuda dos militares dos EUAcom a boa vontade da Indonésia e Bangladesh após o tsunami de2004 em Aceh e um ciclone em Bangladesh em novembro passado. "Com a Birmânia a situação tem sido bem diferente --aocusto de milhares de vidas", disse Gates em um encontro anualde autoridades de segurança e defesa da Ásia. (Reportagem adicional de Andrew Gray, Jan Dahinten eMelanie Lee em Cingapura)

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