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Grupos de direitos civis reclamam de violações em referendo no Egito

Representantes alegam monitores independentes foram proibidos de acompanhar a contagem dos votos

AE, Agência Estado

16 de dezembro de 2012 | 13h48

CAIRO - Vários grupos de direitos civis no Egito pediram neste domingo, 16, a repetição da primeira rodada do referendo sobre a proposta de uma nova Constituição do país, alegando que o pleito foi marcado por uma série de violações. Grupos islâmicos que apoiam a nova carta constitucional disseram que lideravam a disputa, com a maioria dos votos optando pelo "sim".

Representantes de sete grupos alegam que a supervisão de juízes no referendo realizado no sábado foi insuficiente em dez das 27 províncias, e que monitores independentes foram proibidos de acompanhar a contagem dos votos.

Em entrevista coletiva, esses representantes disseram que há relatos de que indivíduos se identificaram falsamente como juízes, mulheres foram proibidas de votar, e membros da Irmandade Muçulmana, do presidente Mohamed Morsi, tiveram acesso permitido aos centros de votação. Eles também disseram que alguns centros de votação fecharam antes do horário previsto e que cristãos foram proibidos de votar.

"Pedimos que a comissão eleitoral evite essas violações na segunda rodada e repita a primeira rodada", disse um comunicado dos sete grupos. "A contagem dos votos aconteceu no escuro", disse Negad Borai, líder de um dos grupos. Segundo ele, a comissão eleitoral não apurou milhares de reclamações sobre violações e irregularidades.

Os resultados oficiais do referendo só devem sair após a segunda rodada, marcada para o próximo sábado (22).

A crise mais recente envolvendo a Constituição foi provocada por discussões que colocam, de um lado, aqueles que apoiam um estado religioso e, do outro, os que querem um estado que mantenha tradições seculares e um caráter islâmico. Determinada por Morsi, a nova carta constitucional proposta no referendo segue preceitos islâmicos.

Cerca de 120 mil soldados foram acionados para ajudar a polícia a proteger os centros de votação e sedes de órgãos do governo, depois que confrontos entre partidários de Morsi e opositores nas últimas três semanas deixaram pelo menos dez mortos e cerca de mil feridos.

Se a Constituição for aprovada por maioria simples dos votos, os islamitas que foram colocados no poder após a queda do presidente Hosni Mubarak terão mais cacife. A câmara alta do parlamento, dominada por islamitas, teria autoridade para legislar até a eleição de uma nova câmara baixa.

Se a proposta for rejeitada, haverá eleições dentro de três meses para escolher uma comissão que redigirá uma nova Constituição. Nesse meio tempo, os poderes legislativos continuariam nas mãos de Morsi.

Segundo o website da TV estatal do Egito, 68% e 72% dos eleitores votaram "não" no Cairo e em Alexandria, respectivamente. Além dessas, o "não" venceu apenas nas províncias de Gharbiyah e Daqahliya.

As informações são da Associated Press

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