Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Grupos de risco para covid na China podem precisar de reforço da 3ª dose de vacina após seis meses

Possibilidade da aplicação de uma terceira dose poderá sobrecarregar ainda mais os fabricantes da China 

The Washington Post, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 19h52

PEQUIM - Especialistas chineses da área de Saúde estão pedindo e defendendo que uma terceira dose da vacina contra o coronavírus seja aplicada em pessoas dos grupos de risco no país porque, segundo eles, os efeitos protetores da imunização caíram em seis meses para alguns receptores. 

Sinopharm e CanSino, dois grandes fabricantes chineses de vacinas contra o coronavírus, disseram nos últimos dias que estão considerando adicionar doses de reforço às suas vacinas contra a covid. O presidente da Sinovac, que no Brasil fabrica a Coronavac em parceria com o Instituto Butantan, disse em março que a empresa estava trabalhando em uma atualização de vacina para combater as variantes do coronavírus, sem mencionar se existe a necessidade de uma dose de reforço de seu imunizante.

A frase “O que fazer após o período de eficácia da vacina de seis meses” se tornou um trend na mídia social chinesa durante o fim de semana, com mais de 8 milhões de visualizações desde sábado. A hashtag foi iniciada pela emissora estatal CCTV, um sinal de aprovação oficial para uma ampla discussão pública sobre o assunto.

O chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças admitiu no mês passado que a taxa de eficácia das vacinas contra o coronavírus da China não era alta, em comentários que foram rapidamente censurados. Ele disse que o governo está considerando misturar diferentes marcas de vacinas ou adicionar doses para aumentar a taxa de eficácia.

Desde então, Pequim parece ter chegado a um consenso para começar a lançar a ideia de se aplicar terceiras doses, conforme refletido no noticiário dos principais meios de comunicação estatais. A terceira dose da vacina contra o coronavírus poderá exigir ainda mais dos fabricantes da China, que já estão sobrecarregados com pedidos.

Na semana passada, os Emirados Árabes Unidos, que usam a vacina chinesa Sinopharm, disseram que ofereceriam uma terceira dose para aqueles que receberam duas doses há mais de seis meses.

Especialistas em saúde pública dos EUA confirmaram nas últimas semanas que aqueles que receberam as vacinas contra o coronavírus Pfizer-BioNTech ou Moderna podem precisar de uma injeção de reforço dentro de um ano.

Shao Yiming, um importante imunologista do CDC da China, foi citado pelo serviço de notícias estatal Xinhua na quinta-feira, dizendo que as vacinas contra o coronavírus podem perder efeito após cerca de seis meses. “Temos de acompanhar de perto o declínio da imunidade em grupos de alto risco e dar injeções de reforço em tempo hábil”, disse ele.

 

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