Grupos denunciam empresária do "Clarín" por adoções

Os dois grupos argentinos de direitos humanos que denunciaram a presidente do Grupo Clarín, Ernestina Herrera de Noble, afirmaram hoje que existem "irregularidades grosseiras" nas adoções feitas pela empresária. Na terça-feira, o juiz federal Roberto Marquevich ordenou a detenção de De Noble, de 77 anos, no marco de um processo em que se investiga o destino de centenas de filhos de desaparecidos durante a ditadura militar argentina (1976 a 1983). Em uma entrevista coletiva, as Avós da Praça de Maio e o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) alegaram que há provas suficientes para suspeitar de que os filhos da empresária teriam sido roubados de desaparecidos durante o regime militar. "Ela (De Noble) é acusada de adulterar os documentos que provariam a origem das (duas) crianças", disse Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio. "Existem provas de que no expediente das adoções de tais crianças ocorreram irregularidades grosseiras", acrescentou. Entre as supostas irregularidades, o presidente do CELS, o advogado e jornalista Horacio Verbitsky, afirmou que houve alterações nos documentos de adoção dos dois jovens, ambos atualmente com 26 anos. "Em um caso, o juiz descobriu que a pessoa que figurava como a mãe biológica que entregou a criança adotada pela senhora De Noble não batia com o número do documento. E quando tal número foi investigado, descobriu-se que se tratava de um homem e não de uma mulher, e que ele era um dos motoristas da senhora De Noble", afirmou. Segundo fontes judiciais, Marquevich ordenou a detenção da empresária por falsificação de documento público e alteração da identidade de seus dois filhos. O juiz também solicitou um teste de DNA para determinar a origem biológica dos mesmos.

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