Grupos exigem aprovação de secretária do Trabalho

A AFL-CIO, maior central sindical dos EUA, ao lado de grupos de defesa dos direitos da mulher e organizações pró-hispânicas começaram ontem a pressionar os senadores pela aprovação do nome de Hilda Solís como secretária do Trabalho. Eles acusam os congressistas republicanos de procurarem um pretexto para não aprovar o nome de Hilda, que sempre se opôs, segundo eles, aos interesses patronais.Indicada para o Departamento do Trabalho pelo presidente Barack Obama, Hilda protagoniza o quarto incidente envolvendo sonegação fiscal na equipe do presidente - ainda que a dívida envolva apenas seu marido. Segundo a imprensa americana, Sam Sayyad pagou, às vésperas da audiência de confirmação da mulher, US$ 6,4 mil para resolver questões tributárias pendentes. O Senado adiou a votação de quinta-feira, que confirmaria Hilda no cargo, com o argumento de que precisa de mais tempo para examinar seu histórico. Apenas esta semana, renunciaram Tom Daschle, indicado para secretário de Saúde, e Nancy Killefer, que supervisionaria o orçamento federal. Daschle sonegou US$ 128 mil em impostos. Nancy deixou de pagar encargos trabalhistas a uma empregada doméstica. Outra importante peça no novo governo, Tim Geithner, secretário do Tesouro, teve de pagar US$ 40 mil em impostos atrasados, mas foi confirmado no cargo. Além de abalar a credibilidade, os contratempos com os indicados de Obama atrapalham o andamento do governo. O afastamento de Daschle deve atrasar o início da reforma do sistema de saúde. O atraso na confirmação de Hilda prejudica o andamento de políticas em um dos setores mais afetados pela crise. "Com os péssimos indicadores de emprego, não ter um Departamento do Trabalho operando é um desastre", disse Bill Samuel, diretor da AFL-CIO. "O cenário ruim demanda uma secretária forte, como Hilda."O governo defendeu a escolha de Hilda, afirmando que suas declarações de impostos estavam em dia. "Não vamos puni-la pelos erros cometidos por seu marido", disse Tommy Vietor, porta-voz da Casa Branca. Ele garantiu que Hilda e o marido só souberam da dívida esta semana.Hilda, de 51 anos, é deputada pelo Estado da Califórnia. Ela começou a carreira política aos 23 anos, ainda na presidência de Jimmy Carter. Filha de mãe nicaraguense e pai mexicano, desde cedo ela se destacou pela atuação em sindicatos e organizações de defesa dos trabalhadores. A indicação de uma mulher latina e com forte raiz sindical explica a dura reação dos grupos que saíram em sua defesa ontem.

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