Grupos rebeldes assinam tratado de paz com governo do Congo

Ambos os lados firmam um cessar-fogo imediato, seguido da retirada das forças, diz porta-voz do governo

Associated Press,

23 de janeiro de 2008 | 19h02

Líderes militares rebeldes assinaram um acordo de paz com o governo do Congo nesta quarta-feira, 23, pondo fim aos anos de luta armada no país. No tratado, ambos os lados se comprometem a um cessar-fogo imediato, seguido da retirada das forças das áreas-chave do conflito, que podem se tornar uma zona tampão das Nações Unidas, disse Vital Kamerhe, porta-voz do governo. Outros detalhes da criação da zona ainda serão discutidos por um comitê técnico que foi criado como parte do acordo.   Um representante de Laurent Nkunda, o principal líder rebelde, foi o primeiro a assinar o documento, numa cerimônia que contou com a presença do presidente do país, Joseph Kabila. Delegados de outros grupos armados assinaram em seguida, incluindo membros de milícias conhecidas como Mai Mai, que haviam sugerido mudanças num esboço do acordo. A violência esporádica castigou o Congo oriental por anos, com milícias locais batalhando entre sí, contra as forças armadas e com os executores do genocídio de Ruanda em 1994, que fujiram para regiões pouco policiadas no Congo oriental.   O acordo deu aos militantes rebeldes anistia pelas revoltas e atos de guerra, porém não os anistiou dos crimes de guerra e contra a humanidade, disse Kamerhe. "Eu gostaria de dizer para Laurent Nkunda e à todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas e hoje escolhem o caminho da paz, que a população do Congo os considera como irmãos, e todos serão bem recebidos em suas casas", acrescentou. Lutas entre as forças de Nkunda e militares do governo forçou cerca de 800 mil moradores locais a abandonarem suas casas neste ano. Grupos de direitos humanos acusou ambos os lados de cometer uma série de estupros e de forçar meninos menores de idade a entrarem nas lutas armadas.   Nkunda e o governo já haviam determinado o cessar-fogo, mas as batalhas continuavam. A cada ataque áereo, as estradas do país se enchiam de  moradores carregando seus pertences, que acampavam na beira das estradas ou na fronteira de Uganda, país vizinho ao Congo, após perderem suas casas. Um representante das Nações Unidas, Alan Doss, elogiou o acordo, dizendo que "a população, especialmente as crianças e mulheres, poderão esperar por um futuro melhor, livre de violência". Doss afirmou ainda que os dois lados tiveram "muito trabalho" para assinar o acordo.  

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