Khaled ElFiqi/EFE
Khaled ElFiqi/EFE

Grupos rivais da oposição síria se agridem em reunião no Cairo

Ação mostra a crescente divisão entre ativistas que lutam pela renúncia do presidente Bashar al-Assad na Síria

O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 03h06

CAIRO - Cerca de cem ativistas sírios, contrários à ditadura do presidente al-Bashar Assad, receberam com uma chuva de ovos e tomates uma delegação de quatro membros do Comitê de Coordenação Nacional (CCN), que também faz oposição ao regime. O grupo deveria se reunir com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, no Cairo.

 

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A ação mostrou a crescente divisão entre os principais grupos dissidentes da Síria. Os militantes responsáveis pelo ataque acusam o CCN, que é composto basicamente por ativistas históricos, defensores dos direitos humanos e ex-presos políticos, de ser condescendente demais com Assad e de buscar um diálogo com o regime.

Os dois principais grupos de oposição do país, o CCN e o Conselho Nacional Sírio (CNS), estão divididos sobre questões cruciais, como aceitar ajuda militar estrangeira e a legitimidade de se dialogar com o regime. A divisão impede que a oposição ganhe uma base sustentável para se apresentar como alternativa viável ao regime de Assad.

"O que ocorreu no Cairo é um sinal do desencantamento dos sírios com o CCN e suas políticas, que são contrárias à vontade do povo", disse Ausama Monajed, membro do CNS, que vive no exílio em Londres. "Não deve haver diálogo com o regime. Nem antes nem depois de eles retirarem os tanques das ruas."

Ditadura. O CCN havia solicitado um encontro de emergência com Arabi antes da reunião ministerial da Liga Árabe, marcada para sábado, que debaterá a situação da Síria. Após o ataque, Hassan Abdul-Azim, líder do grupo que foi ao Cairo, conseguiu entrar na sede da organização pela porta dos fundos.

"Somos todos oposição e rejeitamos a exclusão de qualquer grupo", disse Azim após a reunião com Arabi. "Mas muitos querem nos excluir do processo porque rejeitamos a intervenção estrangeira na Síria." A Liga Árabe condenou o ataque e disse que está aberta a todos os grupos sírios de oposição.

Sada Hamzeh, uma ativista membro do CCN, que vive em Paris, afirmou que o CNS está por trás do ataque de ontem. "O que ocorreu é inaceitável. Todo mundo que está fora do Conselho Nacional Sírio é tido como traidor. Isso não passa de uma outra forma de ditadura."

Violência. A divisão entre os dois grupos de oposição intensificou-se com a repressão comandada por Assad e persistiu mesmo após o anúncio de um acordo entre Damasco e a Liga Árabe, anunciado na semana passada, para pôr um fim à violência que já matou 3,5 mil pessoas, de acordo com a ONU.

Para conter o crescente isolamento internacional, Assad comprometeu-se a suspender imediatamente a repressão contra os opositores, a levar adiante reformas e a libertar todos os prisioneiros políticos.

Em troca, ele exigiu aos dissidentes que depusessem armas, outros países "não interferissem em assuntos internos da Síria" e a mídia internacional "encerrasse a incitação à violência".

Uma comissão composta por membros da Liga Árabe seria responsável pelo monitoramento do plano. Governo e dissidentes, no entanto, parecem ignorar o acordo.

Ontem, 26 pessoas morreram em todo o país, incluindo 8 na capital, Damasco, que até então havia se mantido à margem dos protestos. / REUTERS, EFE e AP

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