Grupos terroristas iraquianos anunciam criação de Estado islâmico

O Conselho da Shura dos Mujahedin, umaaliança de organizações terroristas liderada pela Al Qaeda, anuncioua criação de um Estado islâmico em parte do Iraque. Em vídeo divulgado neste domingo pela rede catariana Al Jazira, que nãodeu detalhes de como nem quando obteve a gravação, um homem disseque "a ´Coalizão dos Mutayibin´ anuncia a criação do Estado daJustiça e do Islã, que governará o povo de acordo com a lei deDeus". A formação tem como objetivo "proteger nossa religião e nossagente", acrescenta o homem. No vídeo, o homem explica que o Estado Islâmico do Iraqueincluirá as províncias de Al-Anbar (oeste), Salahedin (noroeste),Diyala (nordeste), Ninawa e Kirkuk (norte), além de parte daBabilônia e Waset (centro). "Peço aos líderes tribais e às personalidades dessas provínciasque proclamem Abu Omar el-Baghdadi como líder deste Estado",Acrescentou. Bagdá, "capital do califado islâmico", seria a capital do Estado,já que "foi edificada por nossos antepassados, e não devolveremosmais que com o preço de nossa vida", acrescentou. O homem também diz que esse Estado será "um escudo impenetrávelpara os habitantes sunitas da terra de Mesopotâmia (Iraque)". O anúncio da criação desse Estado chega "depois que os curdosgarantiram um Estado no norte e que os ´rafidas´ (termo depreciativopara se referir aos xiitas) tenham conseguido a aprovação dofederalismo para o sul e o centro do Iraque", acrescentou. Na quarta-feira passada, o Parlamento iraquiano aprovou umprojeto de lei que permitirá no futuro a formação de regiõesautônomas, apesar da oposição da minoria árabe sunita e da ausênciade quase metade dos parlamentares iraquianos. Em uma sessão com a presença da apenas 138 deputados, do total de275 da Câmara iraquiana, todos os presentes votaram a favor da lei,que modifica o limite das competências a cargo das 18 provínciasIraquianas. Os curdos têm autonomia em três províncias do norte do país,enquanto parte da majoritária população xiita exige o controle dosul do país, onde essa comunidade é majoritária. Enquanto isso, as autoridades iraquianas anunciaram neste domingo oadiamento indefinido da conferência de reconciliação nacional quedeveria ocorrer em 21 de outubro, com a presença dos principaislíderes políticos do país. O anúncio foi feito através de um comunicado do Ministério paraAssuntos do Diálogo Nacional iraquiano, afirmando que a medida foitomada "por razões alheias à vontade do ministério". Essa conferência é a terceira da quatro previstas no plano dereconciliação nacional promovido pelo primeiro-ministro do Iraque,Nouri al-Maliki. A primeira e a segunda foram realizadas no mês passado com aparticipação de lideres tribais e representantes de organizaçõescivis, e a quarta será com os clérigos dos diferentes credos.

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