AP Photo/Fernando Llano
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Guaidó anuncia envio de ajuda humanitária à Venezuela; Maduro fala em eleição parlamentar antecipada

Autoproclamado presidente interino disse que ajuda estrangeira chegará ao país pelas fronteiras com o Brasil e a Colômbia, e em uma ilha do Caribe; Nicolás Maduro criticou mobilização e atacou a oposição

Redação, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2019 | 16h49
Atualizado 02 Fevereiro 2019 | 21h14

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou neste sábado, 2, que a ajuda humanitária ao país chegará nos próximos dias pelas fronteiras com o Brasil e a Colômbia, e em uma ilha do Caribe. Já o presidente Nicolás Maduro liderou um ato público pela primeira vez em seis meses, e criticou à mobilização da oposição.

"Já temos três pontos de aprovisionamento para a ajuda humanitária: Cúcuta (Colômbia) e farão outros dois, um ficará no Brasil e outro em uma ilha do Caribe", assegurou Guaidó, no palanque de onde lidera uma manifestação multitudinária. O opositor, de 35 anos, anunciou também, sem dar maiores detalhes, a criação de uma "coalizão mundial pela ajuda humanitária e a liberdade na Venezuela".

"Nos próximos dias começa o aprovisionamento da ajuda humanitária (...) do necessário para que nossa gente sobreviva (...) Você, soldado (...), terá em suas mãos a decisão" de permitir a entrada, desafiou.

Guaidó também convocou uma nova mobilização para o próximo dia 12, em sua ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro, diante de uma manifestação multitudinária em Caracas. Ao pedir a seus seguidores para "continuarem mobilizados nas ruas", Guaidó convocou duas "mobilizações importantes", uma no Dia da Juventude na Venezuela, em 12 de fevereiro, e outra relacionada com a ajuda da chegada humanitária, cuja data não informou.

"Vão anotando esta data", disse, referindo-se ao Dia da Juventude, o líder do Parlamento, que se autoproclamou presidente depois de a maioria opositora declara Maduro um "usurpador".

Resposta de Maduro

Maduro, que culpa a direita e as sanções americanas pela crise, rejeita a ajuda humanitária, assegurando que abre a porta para uma intervenção militar. Outra multidão de governistas se concentrou na Avenida Avenida Bolívar, centro da capital, liderada por Maduro, para comemorar os 20 anos da revolução fundada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

Vestindo uma camisa vermelha, Maduro chegou à avenida, onde há seis meses dois drones carregados com explosivos foram detonados perto de uma tribuna onde o presidente chefiava uma parada militar. Em um palanque, ao lado da mulher, Cilia Flores, o chefe de Estado socialista cantou e discursou para a multidão.

No encerramento do ato, Maduro garantiu uma proposta da governista Assembleia Constituinte de antecipar de 2020 para este ano as eleições para renovar o Parlamento, de maioria opositora. O Parlamento é o único poder que a oposição controla no país petroleiro, depois da esmagadora vitória que obteve nas eleições de dezembro de 2015, origem do atual conflito de poderes.

"Querem um adiantamento das eleições? Vamos para eleições!", afirmou Maduro diante de seus partidários, assegurando, contudo, que poderia convocar essa votação em consenso com a oposição "em um diálogo".

Foi a primeira aparição de Maduro desde 4 de agosto passado. A partir daquele dia, quando ocorreu o que denuncia como um "magnicídio em grau de frustração", Maduro tinha limitado suas intervenções a locais fechados. Alguns de seus atos, inclusive, são transmitidos agora pela televisão.

O caso dos drones resultou na detenção de cerca de trinta pessoas, inclusive dois generais da ativa e o deputado opositor Juan Requesens./ AFP e REUTERS

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