REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Guaidó apresenta plano para obter apoio das Forças Armadas

Presidente interino convocou população a distribuir a lei de anistia aos militares e anunciou a entrada no país de ajuda humanitária

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 16h19

CARACAS - O presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela, fez declarações nesta sexta-feira a uma multidão na Praça Bolívar, no bairro de Chacao, Caracas, e apresentou várias medidas que seu governo pretende adotar nos próximos dias. 

Entre elas, Guaidó apresentou um plano para convencer as Forças Armadas a juntar-se a seu projeto. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, manifestou na quinta-feira o apoio das Forças Armadas ao governo de Nicolás Maduro, que no dia 10 assumiu um segundo mandato considerado ilegítimo pela comunidade internacional. Guaidó pediu à população que saia às ruas amanhã e distribua a lei de anistia entre os militares.

Ao começar o discurso, Guaidó pediu um minuto de silêncio pela brutal repressão dos últimos dias, que deixou ao menos 26 mortos e dezenas de feridos.

Ele também autorizou a entrada no país de ajuda humanitária. "Em apenas dois dias, graças à legalidade e ao respeito que conquistamos - o que eles não obtiveram em seis anos -, autorizamos a entrada de ajuda humanitária", anunciou, citando um valor de US$ 20 milhões. O país vive uma crise econômica sem precedentes e uma grave escassez de alimentos e remédios.

"Veem a importância da legalidade, senhores das Forças Armadas?", declarou.

Guaidó também disse que seu governo não permitirá o roubo do dinheiro da Venezuela. "Nas próximas horas obteremos a proteção desses ativos, para o bem da Venezuela. Veremos o que dizem as Forças Armadas quando perceberem que essa ilegalidade que usurpa o Palácio de Miraflores não pode pagar nem as contas nem os salários."

"Chegou o momento de se colocar ao lado da Constituição, de respeitar o povo da Venezuela. Ponham-se ao lado do povo da Venezuela. Vocês terão nos próximos dias um teste importante: vão permitir a entrada da ajuda (humanitária)?", desafiou as Forças Armadas.

Sob aplausos, Guaidó também pediu aos cubanos que saiam das Forças Armadas da Venezuela e deixem os cargos de decisão. 

Para o fim de semana, Guaidó convocou cada município a grandes assembleias para honrar as vítimas da repressão e escutar os deputados (a maioria de oposição).Ele recordou que seu plano é "obter o fim da usurpação, um governo de transição e eleições livres".

Ele também anunciou uma grande manifestação a nível nacional para a próxima semana e disse que amanhã especificará qual será o dia do evento.

Sobre a possibilidade de ser detido, Guaidó disse "vivemos em uma ditadura". No entanto ele exortou: "se eles se atreverem a sequestrar o poder, peço que se mantenham na rota, pacífica, mas com muita contundência, para liberdade em cada canto do país".

Ele considerou que não o detiveram por causa do marco constitucional. "Seria um golpe se me levarem", advertiu. 

Durante a manhã desta sexta-feira, circularam rumores em Caracas de que Guaidó não compareceria ao ato convocado na noite de quinta-feira, pois o regime chavista se preparava para detê-lo.

O deputado José Luis Pirela, que assistiu ao discurso, disse que "o mundo inteiro está reconhecendo Juan Guaidó como presidente interino, os outros são escarcéus de feras desesperadas, de máfias protegendo seus interesses".

Guaidó conta com o reconhecimento dos EUA e da Organização dos Estados Americanos, OEA. A União Europeia, por sua vez, exige que Maduro convoque eleições imediatamente. 

 

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