Guaidó denuncia 'desaparecimento forçado' de colaboradores após fuga de López da Venezuela

Líder da oposição escreveu que Roland Carreño, Yeferson Sarcos e Elías Rodríguez não são vistos há mais de 12 horas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 19h53

CARACAS - O líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, denunciou o "desaparecimento forçado" de três colaboradores após a saída do país de seu mentor, Leopoldo López, depois que este último passou 18 meses na residência do embaixador espanhol em Caracas. 

"O jornalista Roland Carreño, junto com Yeferson Sarcos e Elías Rodríguez, estão desaparecidos há mais de 12 horas", escreveu no Twitter nesta terça-feira, 27, Guaidó, líder parlamentar reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de cinquenta países, liderados pelos Estados Unidos. 

A Associação Nacional de Jornalistas (CNP), por sua vez, afirmou que Carreño "encontra-se preso" na sede do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (SEBIN), no edifício Helicoide, em Caracas. Nenhuma autoridade confirmou que eles estão presos. 

López afirmou que Maduro é um "criminoso" que lidera uma "ditadura" em seu primeiro ato público em Madri. O opositor prometeu continuar a luta para a "saída do ditador" diretamente do exterior. 

Diante de um auditório cheio de jornalistas no centro de Madri, López atacou fortemente Maduro, ao mesmo tempo em que insistiu na unidade dos adversários tanto dentro quanto fora do país para que "uma eleição presidencial possa acontecer na Venezuela, de forma livre, justa e verificável".

"Está claro que a Venezuela é uma ditadura e ninguém hoje tem dúvidas de que Maduro é um criminoso, ele é um assassino", disse López durante a entrevista coletiva, evocando um relatório da ONU apresentado em setembro que vincula Maduro a possíveis "crimes contra a humanidade".

"Não pode haver matizes ideológicas na tragédia venezuelana, não é um problema de direita ou de esquerda", acrescentou López, lembrando que pretende viajar para levar adiante "a voz da liberdade dos venezuelanos", à medida que a pandemia da covid-19 permita.

O líder da oposição, de 49 anos, afirmou estar com "o coração partido" por ter deixado a Venezuela, mas guarda a "convicção de que vamos voltar a uma Venezuela livre".

O opositor chegou a Madri no domingo após deixar clandestinamente a Venezuela, onde foi condenado a cerca de 14 anos de prisão em 2015, acusado de incitar à violência em protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram 43 mortos e milhares de feridos. 

Em 2017, López foi para prisão domiciliar. Em 30 de abril de 2019, participou de um levante militar fracassado junto ao seu padrinho político, Guaidó.

Após o fracasso da operação, o carismático ex-prefeito do rico município de Chacao, em Caracas, refugiou-se na residência do embaixador espanhol na capital venezuelana, onde permaneceu por 18 meses até sua fuga no último fim de semana. 

Em Madri, voltou a se encontrar com o pai, o eurodeputado espanhol Leopoldo López Gil, sua esposa, Lilian Tintori - que chegou à cidade espanhola em junho de 2019 - e seus três filhos. /AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.