Yuri CORTEZ / AFP
Yuri CORTEZ / AFP

Guaidó denuncia intimidação chavista após ida de polícia à sua casa

O autoproclamado presidente interino da Venezuela disse que as forças especiais de segurança estão perto de sua residência para intimidar sua família e responsabilizou o presidente Nicolás Maduro pela segurança de sua família

Redação, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2019 | 16h02

CARACAS - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, denunciou nesta quinta-feira, 31, que as forças de segurança de elite do chavismo se aproximaram de sua casa e ameaçaram a sua família, e responsabilizou o governo de Nicolás Maduro. O chavismo negou a acusação. Momentos antes, Guaidó havia anunciado um plano econômico para “frear a inflação” e reduzir os fortes subsídios. 

Guaidó, presidente do Parlamento de maioria opositora, fez as denúncias enquanto apresentava seu plano econômico, chamado de “Plano País”. Entre as principais propostas estão a eliminação do controle cambial e estabelecimento de liberdade para negociar moeda estrangeira, um cronograma de reajuste de preços de combustíveis e tarifas de serviços públicos, reestruturação das empresas estatais, e o fim de subsídios econômicos. “Basta de controle social, basta de depender de um subsídio”, disse Guaidó. “Ninguém quer receber nada de graça. Quer produzir como sempre fez.”

Momentos depois de apresentar as propostas, Guaidó afirmou que homens identificados como membros das Forças de Ações Especiais (FAES) se aproximaram de sua casa, em duas motos e uma caminhonete sem placas, e perguntaram por sua esposa, Fabiana Rosales, e pela família. “Buscavam informações. O objetivo é evidente. A esses funcionários digo: não cruzem o limite”, disse Guaidó. “Não vão me amedrontar”, disse Guaidó à imprensa, na porta de sua casa, com sua filha de 20 meses nos braços. 

O governo de Nicolás Maduro negou que agentes de segurança tenham se aproximado da casa de Guaidó, e reiterou sua intenção de dialogar. O líder opositor rejeitou a oferta, e afirmou que “nunca mais” a oposição aceitará “diálogos falsos” com o chavismo. “Maduro diz que agora sim, agora é verdade. Que fique claro: nunca mais vamos nos prestar a um falso diálogo em nenhum espaço”, disse.

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos, que reconheceram Guaidó como presidente interino, advertiram Maduro. O conselheiro de Segurança Nacional americano, John Bolton, disse em um pronunciamento na Casa Branca que os chavistas deveriam aproveitar a oportunidade para deixar o governo. “Desejo a Nicolás Maduro e a seus principais assessores uma aposentadoria longa e tranquila em alguma praia longe da Venezuela. Eles deveriam aproveitar a anistia do presidente Guaidó e seguir em frente. Quanto antes, melhor”, disse Bolton. 

O Parlamento Europeu reconheceu nesta quinta-feira, 31, Guaidó como presidente interino, pressionando a União Europeia para que faça o mesmo. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, anunciou a criação de um “grupo de contato de países europeus e latino-americanos” que terá 90 dias para “trabalhar uma saída à crise”. 

A medida foi criticada por países europeus, que consideraram o prazo de 90 dias um respiro para o regime de Maduro tentar frear o avanço da oposição. Sob a pressão de Espanha, Alemanha e França, a União Europeia deu um ultimato a Maduro, que vence no sábado, para que ele aceite eleições “livres” no país. 

Mogherini negou que o prazo de 90 dias seja muito dilatado. “É o prazo ideal para criar confiança e criar as condições para um processo crível surgir ”, disse Mogherini. “Não permitiremos que este prazo seja usado para ganhar tempo.”

Ainda nesta quinta-feira, 31, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a crise na Venezuela só será resolvida no momento em que os militares do país se rebelarem contra o chavismo. “A questão venezuelana só será resolvida quando as Forças Armadas venezuelanas se derem conta que não dá para continuar da forma que está”, disse Mourão. “Acho que este momento está chegando porque as pressões estão cada vez maiores e nós militares, em todos lugares do mundo, entendemos que há limite e quando este limite está chegando”.

 

Perseguição jornalistas

Os três jornalistas da agência de notícias EFE que foram presos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), da Venezuela, foram libertados nesta quinta-feira, 31. Os colombianos Maurén Barriga e Leonardo Muñoz e o espanhol Gonzalo Domínguez haviam sido presos na quarta-feira, enquanto cobriam os protestos contra o governo de Nicolás Maduro. O motorista que acompanhava Muñoz, José Salas, de nacionalidade venezuelana, ainda está preso na sede do Sebin, em Caracas.

Além deles, dois jornalistas franceses, Pierre Caillet e Baptiste de Monstiers, foram detidos segunda-feira à noite enquanto cobriam uma pequena manifestação do governo. Na manhã de na quinta-feira, 31, eles foram levados por policiais para o aeroporto de Caracas para embarcar em um voo de volta para França, informou o embaixador francês no país, Romain Nadal.

Na última semana, com a intensificação da crise venezuelana, o chavismo deteve ao menos 13 jornalistas estrangeiros para esclarecimentos. Segundo a Associação de Imprensa da Venezuela, ao menos 26 jornalistas foram atacados e oito equipes de repórteres foram alvo de roubos no país no período. / AFP, REUTERS E EFE

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