Juan BARRETO / AFP
Juan BARRETO / AFP

Guaidó diz que não descarta pedir intervenção americana para derrubar Maduro

'Claro que é um tema muito polêmico, mas fazendo uso da nossa soberania, dentro das nossas competências, faremos o necessário', diz líder opositor

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 20h29

CARACAS - O líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, que se proclamou presidente do país em janeiro, disse nesta sexta-feira, 8, à agência France Presse que não descarta autorizar uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder. 

"Faremos o que for possível", disse ele, ao responder uma pergunta se autorizaria uma intervenção estrangeira na condição de presidente interino. "Claro que é um tema muito polêmico, mas fazendo uso da nossa soberania, dentro das nossas competências, faremos o necessário."

Guaidó declarou-se presidente interino por considerar que Maduro usurpou o cargo de presidente ao ser eleito em eleições boicotadas pela oposição e marcadas por denúncias de fraude. Ele é reconhecido por 40 países, mas não controla nenhuma instituição ou território dentro da Venezuela. A estratégia do opositor é convencer a cúpula militar a abandonar Maduro, o que até então não aconteceu. Maduro diz que Guaidó é uma marionete americana com o objetivo de facilitar uma intervenção americana na Venezuela.

Mais cedo, o opositor falou que pretende organizar neste fim de semana assembleias para organizar equipes de voluntários para buscar ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos na cidade de Cúcuta, na Colômbia.

A oposição pretende constranger o Exército a escolher entre seguir bancando Maduro ou ajudar a enfraquecê-lo permitindo a passagem de alimentos e remédios. Muitos dos oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) que protegem a fronteira tem baixas patentes e também sofrem com a crise. 

O governo de Maduro já afirmou que não permitirá a entrada de comida e remédios no país, que sofre há seis anos com a escassez e a hiperinflação, às vezes com falta de itens básicos como água, sabão e papel higiênico, por que a considera um pretexto para uma invasão americana. 

“Não vamos permitir o show da ajuda humanitária falsa. Não somos mendigos. ”, disse Maduro. “É um jogo macabro: nos congelam o dinheiro para nos pedir migalhas.”/ AFP, REUTERS e EFE

 

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