Manaure Quintero/REUTERS
Manaure Quintero/REUTERS

Guaidó propõe negociação com Maduro e defende suspensão progressiva de sanções americanas

Líder oposicionista pede novas eleições presidenciais e legislativas; presidente venezuelano afirma que diálogo já existe

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 19h18
Atualizado 11 de maio de 2021 | 22h28

CARACAS - O líder da oposição venezuelana Juan Guaidó propôs nesta terça-feira, 11, que os Estados Unidos retirem gradualmente as sanções impostas contra a Venezuela para incentivar que o presidente Nicolás Maduro chegue a um acordo com os partidos que se opõem ao seu governo.

Em vídeo divulgado em sua conta no Twitter, Guaidó defende um “acordo nacional” que incluiria um calendário de eleições gerais no país sul-americano envolvendo uma coalizão de oposição e o Partido Socialista de Maduro. Além das eleições gerais, o acordo convocaria também pleitos parlamentares, regionais e municipais, com observação e apoio internacional. No ano passado, a oposição não participou das eleições venezuelanas, alegando fraude.

O opositor defende “o compromisso da comunidade internacional para alcançar a recuperação da Venezuela e oferecer incentivos ao regime, incluindo a suspensão progressiva de sanções, condicionada ao cumprimento dos objetivos fundamentais do acordo”, e acrescenta esperar um processo de negociação “entre as forças legítimas democráticas, o regime e as potências internacionais". 

Esta é a primeira vez que Guaidó pede publicamente o fim das sanções americanas, após defendê-las enquanto se tornavam cada vez mais severas. “A Venezuela vive a pior crise de toda a sua história”, disse o opositor. “Nossos aliados, a comunidade internacional, nos dizem que devemos chegar a um acordo para salvar o país”. 

Maduro respondeu as declarações na noite desta terça-feira. “Há um diálogo entre a oposição e o bolivarianismo. Não é novidade para nenhum de nós. O Conselho Nacional Eleitoral saiu de uma grande mesa de diálogo”, afirmou.

A mesa de diálogo permanente, que se reúne periodicamente desde janeiro passado com diversos setores da sociedade venezuelana, é dirigida pelo Presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, a pedido de Maduro. 

Maduro afirmou que Guaidó está “desesperado pelo diálogo” porque “ficou de fora de tudo, isolado e derrotado”. O presidente revelou uma reunião entre o ex-deputado opositor Freddy Guevara e o parlamentar Francisco Torrealba para tratar da possibilidade de uma reaproximação.

Segundo Maduro, Guevara expressou sua intenção de manter contato com o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e "participar das eleições de governadores e prefeitos". 

Negociações

No vídeo divulgado nesta terça-feira, 11, Guaidó afirmou que ninguém confia na ditadura e disse que a negociação só será possível se o processo oferecer garantias para todos e mecanismos de responsabilização para o regime. Como pontos essenciais para a negociação,  Guaidó pediu também que fosse incluído o pedido de "entrada massiva de ajuda humanitária" e de vacinas contra a covid-19 no país.

Recentemente, o governo de Maduro permitiu que ex-executivos da empresa americana de refino de petróleo Citgo passassem para a prisão domiciliar, nomeou um novo conselho eleitoral e fez um novo acordo do Programa Mundial de Alimentos. Analistas veem essas medidas como sinais de que o presidente está disposto a negociar. Um alto funcionário da Casa Branca disse à Agência Reuters que Maduro estava "enviando sinais", mas acrescentou que tais movimentos eram insuficientes sem um progresso tangível em direção às eleições. "O presidente Biden não tem pressa em suspender as sanções", disse um porta-voz do Departamento de Estado à Agência Reuters na semana passada. /REUTERS e EFE

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