AP Photo/Martin Mejia
AP Photo/Martin Mejia

Guaidó busca apoio no Brasil enquanto chavismo pede reunião com Trump

Líder opositor venezuelano inicia giro pela América do Sul para discutir próximos passos da pressão internacional contra o regime de Maduro; hoje, ele se reunirá com presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto

Luiz Raatz e Mariana Haubert / Brasília, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 13h54
Atualizado 27 de fevereiro de 2019 | 21h37

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó se reunirá na quinta-feira, 27, com o presidente Jair Bolsonaro e membros do governo brasileiro para discutir os próximos passos no esforço de construir uma transição do chavismo. Em Caracas, aliados de Nicolás Maduro defenderam um encontro do líder venezuelano com o presidente Donald Trump para discutir a crise. A possibilidade foi descartada pelo vice americano, Mike Pence. 

Segundo a assessoria da representante diplomática de Guaidó no Brasil, María Teresa Belandria, o líder opositor ficará em Brasília até sexta-feira. Ele se reunirá amanhã com Bolsonaro, por volta das 14 horas, no Palácio do Planalto. Guaidó está acompanhado de dois deputados da Assembleia Nacional, controlada pela oposição. Depois do encontro, ele dará uma entrevista e se encontrará com embaixadores e representantes diplomáticos de países que o reconhecem como presidente legítimo da Venezuela.

O encontro com Bolsonaro ocorre depois de a oposição, com auxílio do governo brasileiro, não ter conseguido entregar 178 toneladas de ajuda humanitária a venezuelanos por meio da fronteira de Pacaraima com Santa Elena de Uairén. 

Guaidó, que esteve na Colômbia desde o fim de semana, deve visitar outros países da região para discutir a crise, segundo o diário venezuelano El Nacional. Mesmo proibido de deixar a Venezuela pelo chavismo, ele cruzou a fronteira por terra no fim de semana. O chavismo disse que, se ele voltar, enfrentará a Justiça. 

No Twitter, Guaidó disse que em breve retornará à Venezuela para exercer as funções de presidente da Assembleia Nacional e de presidente interino, sem dar uma data. “Não assumimos esse compromisso para lutar de fora”, disse. Em mensagem de áudio que circula nas redes sociais, Guaidó pediu uma mobilização de rua quando ele retornar ao país. 

À rede de TV ABC, Maduro acusou Guaidó de “violar a lei” ao deixar a Venezuela sem autorização. O governo americano, no entanto, promete desde o início da crise que o chavista “se arrependerá” se algo acontecer a Guaidó ou a sua família. 

Uma fonte da oposição venezuelana que acompanhou a tentativa de entrega de mantimentos em Roraima disse ao Estado que “a ajuda do governo brasileiro durante a preparação da operação não foi a que gostaríamos”, sem querer dar mais detalhes. 

Questionado sobre a qualidade da cooperação com a equipe de Guaidó, o Itamaraty afirmou desconhecer qualquer insatisfação e afirmou que os retornos sobre a operação foram todos elogiosos.

Em razão da exigência do governo brasileiro de apenas cidadãos venezuelanos participarem do traslado, a oposição teve dificuldades em arrumar motoristas e caminhões para levar alimentos e remédios. 

Apenas duas caminhonetes de pequeno porte fizeram o traslado da Base Aérea de Boa Vista, onde está armazenada a ajuda, até Pacaraima. Uma delas ainda quebrou na estrada. Os caminhões entraram alguns metros na fronteira, estacionaram e, ao primeiro sinal de confusão entre manifestantes e a Guarda Nacional Bolivariana, deram marcha à ré. 

O deputado opositor Luis Silva, que acompanhou a tentativa de entrega da ajuda, pediu no fim de semana que o Brasil permita que a ajuda humanitária deixe Boa Vista e seja armazenada em Pacaraima. Não estava claro  se na reunião de Guaidó com Bolsonaro esse seria um dos temas em pauta. Diplomatas americanos que acompanharam a entrega de ajuda em Pacaraima reconheceram ao Estado que o processo estava “desorganizado”. 

ONU

Hoje, houve movimentação diplomática nas Nações Unidas, tanto do lado venezuelano quanto do americano. Em Genebra, no Conselho de Direitos Humanos, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, pediu uma reunião entre Maduro e Trump para discutir a crise

“Voltamos a sugerir o caminho do diálogo com os EUA e, quem sabe, até mesmo uma reunião entre os presidentes Trump e Maduro?”, questionou Arreaza. “Existem diferenças, mas vamos trabalhar em concordâncias.” O ministro denunciou por vários minutos o que descreveu como uma “agressão” contra a Venezuela, bem como o congelamento de ativos venezuelanos no exterior. 

A vice-presidente Delcy Rodríguez, por sua vez, foi para a Rússia, onde deve se encontrar com autoridades locais. Ao lado dos chineses, os russos são os principais aliados de Maduro. 

Os EUA solicitaram hoje também uma reunião no Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise na Venezuela. Washington pretende votar uma resolução que estabeleça a realização de eleições livres e justas e permita a entrada de ajuda humanitária em território venezuelano. Era provável que o texto, que tinha poder vinculante e não havia sido votado ontem, fosse vetado por Moscou e Pequim./ COM EFE e AFP

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.