Guantánamo: Corte manda reabrir ação contra Rumsfeld

A Suprema Corte dos Estados Unidos retomou hoje um processo movido por quatro ex-detentos britânicos da prisão americana da Baía de Guantánamo (Cuba), ao ordenar que um tribunal de segunda instância reconsidere as alegações dos ex-presos, de que foram torturados e sofreram discriminações religiosas. A Suprema Corte ordenou a um tribunal de apelações em Washington que reveja o caso contra o ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, e dez oficiais militares graduados do exército americano.A Corte alegou que o caso precisa ser reconsiderado, em vista da nova moção expedida pelo tribunal máximo americano em 12 de junho. Essa moção sustenta que os prisioneiros detidos na base naval americana em Guantánamo têm o direito de questionar as próprias detenções em tribunais civis.No caso deles, os britânicos alegam que são protegidos pelo banimento constitucional à tortura e às punições cruéis nos EUA. Eles também alegam que o direito de praticar a própria religião sob o Ato de Liberdade Religiosa nos EUA foi violado em Guantánamo. A decisão de hoje foi a mais recente em uma série de reprovações judiciais ao sistema de Justiça Militar de exceção montado pela administração do presidente George W. Bush para julgar "combatentes inimigos" capturados durante a "guerra ao terror". Os britânicos afirmam que durante a detenção em Guantánamo eles foram espancados, ameaçados com cachorros ferozes, obrigados a ficarem em posições dolorosas, privados de dormir, de alimentos e submetidos a temperaturas extremas.Um dos britânicos que fazem as acusações, Shafiq Rasul, disse que enquanto esteve na prisão de Guantánamo foi amarrado em uma posição dolorosa durante horas e obrigado a escutar música alta por um longo tempo. Rasul foi detido no Afeganistão pela Aliança do Norte em novembro de 2001, junto com dois amigos, e entregue às tropas americanas. Ele foi levado à prisão de Guantánamo em 2002 e encarcerado por dois anos sem julgamento. As informações são da Dow Jones.

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