Arquivo/Reuters
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Guantánamo: dois detentos são soltos e recolocados em El Salvador

Chineses de etnia Uigur aguardavam acordo com algum país que os recebesse desde 2008

estadão.com.br,

19 de abril de 2012 | 20h40

Dois chineses muçulmanos que ficaram presos por quase uma década sem sentença na Base de Guantánamo, em Cuba, foram soltos e enviados a El Salvador nesta semana, de acordo com um anúncio do Pentágono nesta quinta-feira, 19.

Os detentos, de etnia Uigur, tinham sido declarados livres por um juiz federal em 2008. A sentença dizia que, embora eles tivessem sido capturados no Afeganistão, não eram combatentes inimigos dos Estados Unidos.

"Nós estamos felizes por eles dois", disse Sabin Willett, um advogado de Boston que ajudou a representá-los em vários estágios das ações de habeas corpus.

O governo americano não identificou os homens, mas Willet disse que se chamavam Ahmed Mohamed e Abdul Razak. Mohamed pretende se tornar vendedor em El Salvador, segundo o advogado. Ele nunca falou pessoalmente com Razak, e não sabe dos seus planos para o futuro.

Oficiais de El Salvador visitaram Guantánamo e entrevistaram os dois chineses há mais de um ano, segundo Willet. Ainda restam 169 detentos em Cuba, incluindo três Uigurs.

Mohamed e Razak são os primeiros presos libertos desde janeiro de 2011, quando um algeriano foi repatriado.

Uigurs em Guantánamo

O governo Bush mandou 22 presos de etnia Uigur do Afeganistão para Guantánamo há cerca de uma década. Depois de a justiça ter declarado a maioria desses homens livres, os Estados Unidos - nas administrações de Bush e de Obama - tiveram dificuldades em definir um lugar para enviá-los.

Eles não poderiam ser repatriados, já que o governo chinês atualmente tenta suprimir o movimento separatista dos Uigurs na região de Xinjiang. A China, pedindo a custódia dos presos, pressionou outros países para que não aceitassem o envio dos Uigur.

No início de 2009, o governo Obama quase conseguiu abrigar alguns dos chineses nos Estados Unidos, mas desistiu dos planos depois de a decisão provocar alvoroço político.

Albânia, Bermuda, Palau e a Suíça receberam alguns Uigurs, mas outros detentos rejeitaram as ofertas de recolocação nestes países.

Com informações do New York Times

 

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